Jornalista vai reassumir o cargo de secretário de governo; uma série de medidas será adotada já a partir de segunda-feira
Ana Paula Amaral
O jornalista Eleandro Passaia, que atuou como secretário de Comunicação e Governo na administração do prefeito Ari Artuzi (PDT), informou na manhã deste sábado que irá integrar a equipe do juiz interventor Eduardo Machado Rocha, que assumiu o cargo de forma provisória. Passaia foi quem denunciou à Polícia Federal o esquema de pagamento de propina e fraude em licitações na Prefeitura de Dourados, investigação que culminou na prisão de 28 pessoas na quarta-feira.
Passaia participou boje pela manhã da cerimônia de posse do juiz interventor. Em entrevista à rádio 94 FM, ao repórter Bronka, Passaia confirmou que foi convidado pelo juiz a integrar a equipe a partir de segunda-feira. "Fui convidado e aceitei. A partir de agora, há uma expectativa muito grande com relação aos trabalhos porque Dourados vivia um sistema de corrupção muito grande, que a partir de agora não vai haver mais", afirmou.
Passaia voltou a afirmar que não é um 'bandido arrependido' e que se sente muito feliz por ter ajudado a quebrar o esquema de corrupção liderado por Artuzi. Somente na saúde, a estimativa é que o desvio chegasse a R$ 2 milhões por mês. "Antes, quando eu via falta de merenda escolar e remédio nos postos eu pensava que Dourados recebia poucos recursos por ser um município do interior. Depois, eu descobri que Dourados é assim por causa da corrupção", emendou.
Entre as medidas adotadas de forma imediata por Eduardo Machado Rocha e equipe, Passaia adiantou a criação de um conselho da comunidade, que irá auxiliar a governar a cidade. Ele também adiantou que haverá suspensão dos contratos superfaturados e que os novos contratos feitos pela prefeitura irão levar em conta o preço de mercado, e não os valores praticados até agora. "Esta já é uma determinação do juiz interventor. Quem quiser ter contrato com a Prefeitura vai ter que cobrar um preço justo, e não superfaturado como era feito até agora", disse ele.
Outra medida imediata a ser adotada já a partir de segunda-feira, segundo Passaia, será a exoneração dos chamados 'servidores fantasmas', que apenas constam na folha de pagamento mas não aparecem nem mesmo para assinar a folha de ponto. "A prefeitura se tornou um cabide de emprego. É muita gente que consta na folha por possuir ligações com determinados vereadores. O juiz já adiantou que este pessoal será todo demitido."
Ao final da entrevista, Passaia disse que nunca mais na vida irá trabalhar para políticos "profissionais" e lembrou que não precisa do cargo de secretário para viver. "Renunciei a tudo o que poderia ganhar em nome da minha honra. Só aceitei trabalhar para o Artuzi porque acreditava na integridade dele e agora só vou ficar porque acredito na honra do juiz Eduardo Machado Rocha", encerrou.
