Prisões "respingam" em campanhas ao governo do Estado
Valéria Araújo
As prisões de políticos de Dourados acusados de formação de quadrilha, fraudes em licitação e desvio do dinheiro público, na Operação Uragano, estão "respingando" nas campanhas pela disputa ao governo do Estado. Dos dois lados haviam envolvidos que pediam votos para André e Zeca.
No caso de André Puccinelli, oito dos nove vereadores presos, além do então prefeito Ari Artuzi, faziam campanha e declaravam apoio a sua reeleição. Integravam esta lista no legislativo os vereadores Marcelo Barros (DEM), Júlio Artuzi (PRB), José Carlos Cimatti (PSB), Paulo Henrique Bambu (DEM), Zezinho da Farmácia (PSDB), o presidente da Câmara, Sidlei Alves (DEM), Humberto Teixeira (PDT) e Edivaldo Moreira (PDT). Gino Ferreira, que foi indiciado na Operação, também apoiava o governador.
Dentre os envolvidos na Operação, declaravam apoio a Zeca do PT, o vereador Aurélio Bonatto (PDT) - preso pela PF, e o vereador indiciado Dirceu Longhi (PT).
Para o presidente municipal do Partido dos Trabalhadores (PT), Tenente Pedro, as prisões influenciam em ambas as campanhas, uma numa proporção bem maior que a outra. "Basta comparar o número de envolvidos na Operação. São 10 vereadores, secretários, além do prefeito Ari Artuzi, que declaravam apoio a André, contra dois vereadores que faziam a campanha de Zeca. Se houve prejuízos, com certeza eles atingiram a campanha do governador, que está praticamente está parada. Não vemos mais tantos carros adesivados e bandeirolas pelo centro da cidade. Enquanto isso, a campanha de Zeca ganha as ruas", disse.
Por outro lado, o presidente do PMDB de Dourados, Laudir Munaretto, acredita que as prisões não influenciaram em nada a campanha de André Puccinelli à reeleição. "O governador vai continuar mantendo o apoio da população, independente de quem pedia voto para ele", destaca.
Quanto ao apoio ele explica que André desconhecia a conduta dos envolvidos. "Eu entendo que quando alguém se dispõe a te apoiar, você não pede atestado de idoneidade. Eu fui vereador e sei que ninguém tem uma estrela na testa que aponta se a pessoa é honesta ou não. Só descobrimos condutas incorretas quando as pessoas se mostram. Nestes casos estas pessoas devem ser afastadas. Isto já está sendo feito", diz.

