Proposta de Orçamento enviado pelo governo ao Congresso na terça-feira estabelece piso de R$ 538,15
As principais centrais sindicais do País decidiram defender o aumento do salário mínimo dos atuais R$ 510 para R$ 560 em 2011. A posição foi anunciada na quarta-feira (1º) após reunião das centrais CUT, Força Sindical, UGT, CTB, CGTB e NCST.
Na terça-feira (31), o governo enviou o projeto da lei orçamentária (PLN 59/10) ao Congresso prevendo um mínimo de R$ 538,15 no próximo ano. O reajuste previsto no Orçamento, de 5,52%, limita-se a repor a inflação prevista para 2010.
O governo alega que apenas segue as regras acertadas com as centrais sindicais em 2007. Pela política atual, o aumento do salário mínimo será equivalente à inflação acumulada no ano anterior mais a variação do PIB de dois anos antes.
Ou seja, para 2011 o aumento seria a previsão de inflação para 2010 (5,52%) mais o PIB de 2009. Mas como o PIB desse ano não cresceu - ao contrário, apresentou um declínio de 0,2% - desta vez não haveria aumento real para o salário mínimo.
De acordo com as centrais sindicais, a proposta de R$ 560 levou em conta, além da inflação, a variação do PIB de 2006 a 2009 (de 3,8%). As centrais também exigem abertura imediata de negociação com o governo para a definição do reajuste.
O presidente da CUT, Artur Henrique, ressalta que o salário mínimo vem tendo aumentos reais desde 2003 e que o projeto de lei orçamentária é apenas uma previsão de gastos da União, que pode ser alterada após diálogo com os diversos atores sociais.
“Desde 2004 nós estamos conseguindo, pelo processo de negociação, a partir da pressão das marchas a Brasília pelo salário mínimo, um reajuste maior que o da previsão inicial do projeto de lei orçamentária”, diz Artur Henrique.
O presidente em exercício da Força Sindical, Miguel Torres, argumenta que um reajuste “digno” do piso é uma forma de distribuir renda, fortalecer o mercado interno, elevar a produção e o consumo, além de gerar novos postos de trabalho.
Torres afirma que o crescimento do mercado interno e o aumento real do mínimo foram decisivos para ajudar o Brasil superar a crise econômica iniciada em 2008.
Ele ressalta ainda que o reajuste do mínimo ajuda a aumentar o valor do piso de diversas categorias profissionais.
“Lembramos que há o compromisso do governo com as centrais sindicais de empreender uma política permanente de valorização do mínimo até 2023”, diz Torres.
Ano Valor (em reais) Aumento real 2003 240 1,23%
2004 260 1,19%
2005 300 8,23%
2006 350 13,04%
2007 380 5,1%
2008 415 4,03%
2009 465 5,79%
2010 510 6,02%
Total (no período) 53,68%
Fonte: Dieese - (*) Acima da inflação.Jornal da Câmara)