Centro de Equoterapia completa oito anos
Uma terapia não convencional, em que cavalos são utilizados no lugar de aparelhos e as sessões são feitas ao ar livre. Prática que tem seus resultados visíveis no sorriso e no dia-a-dia de quem se reabilita de algum distúrbio físico ou mental.
Assim é a Equoterapia, método terapêutico e educacional que emprega o cavalo como agente promotor de ganhos físicos, psicológicos e educacionais. A atividade exige a participação do corpo inteiro, o que proporciona desenvolvimento da força, tônus muscular, flexibilidade, relaxamento, conscientização do próprio corpo e aperfeiçoamento da coordenação motora e do equilíbrio.
Cerca de 84 praticantes usufruem dos benefícios desta terapia no Centro de Equoterapia da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul (PMMS). A instituição filantrópica trabalha com doações e oferece uma média de 150 atendimentos gratuitos por semana.
Fisioterapeutas, psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, pedagogos, educadores físicos, além de cinco policiais militares formam a equipe do centro. A Secretaria de Saúde do Estado de Mato Grosso do Sul também é parceira do projeto, realizando o pagamento dos profissionais que lá trabalham, com exceção dos policiais, que são cedidos pela PMMS.
O centro completa, na próxima sexta-feira (3 de setembro), oitos anos de existência. Além de terapia, proporciona esperança.
“Eu adoro vir para a equoterapia. Relaxa minhas pernas, porque antes eu não tinha muita abertura. Meu sonho é poder andar um dia”, conta Antônio Carlos Pereira Dias. Antônio tem paralisia cerebral e faz duas sessões semanais de equoterapia. O menino de 12 anos frequenta o centro desde 2003. Para os pais, os resultados são animadores.
“Ele se questionava: ‘será que serei capaz de andar um dia?`. Com o tratamento, ele teve uma melhora significativa na abertura das pernas, na autoconfiança, equilíbrio e postura. A comunicação também está muito melhor; ele nos corrige quando falamos algo errado em casa”, relata a mãe, Eli Alves Pereira Dias.
De acordo com o pai do menino, o ponto principal é o equilíbrio. Ele lembra que o garoto já caiu algumas vezes por não conseguir ficar sentado corretamente em uma cadeira. “Hoje ele é mais independente. Levanta sozinho da cadeira de rodas para ir para o sofá e pode sentar à mesa para comer sem que fiquemos preocupados se ele irá cair”.
A terapeuta ocupacional do centro, Flávia Marcondes, explica que o sucesso se deve ao trabalho completo e em equipe, além de ser “muito mais prazeroso que um atendimento clínico, por conta da interação com o cavalo, desenvolvendo novas formas de socialização”.
“A equoterapia não substitui os demais métodos terapêuticos, mas é um complemento essencial, pois é um tratamento multidisciplinar, que trabalha a área psicológica, autoconfiança, parte motora, aquisição de equilíbrio e desenvolvimento muscular, além da parte educativa”, completa Marcondes.
De acordo com a mãe, após cinco cirurgias reparativas, Antônio não precisou se submeter àquela que seria de maior risco. “Graças à equoterapia ele não teve que fazer a cirurgia de quadril. Ele já levanta as pernas sozinho para sair do carro e coloca o cinto de segurança sem precisar de ajuda também”.
Antônio deixa a equoterapia e segue para mais sessões de fisioterapia. Ele ainda faz hidroginástica e acompanhamento psicopedagógico, além de terapia ocupacional. Deve voltar a frequentar a fonoaudióloga em breve, segundo a mãe. Essa é a rotina do garoto, que já escolheu a profissão: “Quero ser jornalista. Assisto aos jornais na TV, gosto de notícia”.
Quando perguntado sobre o tipo de jornalismo que ele quer seguir, Antônio diz que prefere o esportivo. “Mas pode ser como apresentador de telejornal também”, finaliza.
Centro de Equoterapia
O centro fica na Polícia Militar Ambiental, próximo ao Parque Estadual do Prosa, e funciona nos dias de semana a partir das 7h30. As sessões têm duração de 40 minutos – sendo 30 minutos de prática e 10 minutos para montaria e afastamento do animal.

