Ator fará peça que retrata a desintegração familiar
Uma vistosa peruca loura, braceletes e anéis brilhantes, tailleur que torna a silhueta mais bela - seria o perfil encantador de uma mulher, mas não se engane: o sorriso escancarado do ser que carrega todos esses atributos é o de um esqueleto. A combinação forma o cartaz da peça “Pterodátilos”, que estreiou semana passada, no Teatro das Artes, no Rio. Promoção e provocação, eis uma mistura bem dosada para o espetáculo que comemora os 45 anos de profissão do ator Marco Nanini. E, como se trata de um artista inquieto, a festa não é comportada – “Pterodátilos” é uma rara comédia, em que o humor dilacera e o nonsense amargura. "Toca nas feridas, mas provoca gargalhadas", resume Felipe Hirsch, diretor da montagem.
Basta espiar a história em que Nanini interpreta dois personagens: Artur é presidente de um banco e chefe de uma família disfuncional, formada por Grace (Mariana Lima), a mãe alcoólatra, mulher opaca e apenas preocupada em consumir; Todd (Álamo Facó), o filho mais velho que volta à casa paterna depois de ter contraído o vírus da Aids; e Ema (Nanini), a filha desnorteada, que se julga grávida e cujo namorado, Tom (Felipe Abib), além de transformado em empregada da casa, logo se apaixona por Todd. "A casa está desmoronando e isso fica mais evidente nesta montagem", comenta Nanini. Ele se refere à primeira encenação da peça, em 2002, intitulada “Os Solitários”. Na época, Felipe Hirsch uniu dois textos do norte-americano Nicky Silver que tratavam da decadência familiar. "Mas “Pterodátilos” sempre ficou na cabeça da gente porque tem humor, diálogos incríveis e precisos, e dramaticidade sem pieguice", conta o ator, decidido a retomar o trabalho com o diretor justamente com esse texto. (O PROGRESSO/AE0
