Depois do empate em 0 a 0 com o Flamengo, na quinta-feira, no Maracanã, o técnico Wanderley Luxemburgo voltou a exaltar o "projeto Atlético-MG".
Embora a diretoria tenha contratado vários nomes de destaque, o time se encontra na zona de rebaixamento há diversas rodadas.
Para o comandante Luxemburgo, mesmo com a nau alvinegra navegando por caminhos tortuosos, ao fim da viagem, todos chegarão bem.
Contudo, apesar de confiar na estratégia traçada, ele admite que algumas situações têm tirado a tripulação do caminho.
"Na minha historia de futebol, eu sempre passei por alguns percalços dentro de um projeto.
Mas, no final, o projeto sai vencedor. O que não sai vencedor é castelo de areia.
É montar um time, começar a ganhar e depois passar uma água e derrubar. Estamos no caminho certo e vamos sofrer. Isso vai fazer com que esse grupo possa amadurecer e se tornar um grupo muito forte.
Porque é na dificuldade que você fortalece o grupo", filosofa o treinador alvinegro.
O Galo ocupa a 18ª colocação, com 14 pontos. A diferença para o líder Fluminense é de 22 pontos.
Portanto, as chances de título, preconizadas na chegada do técnico ao clube, são praticamente nulas. Luxemburgo, no entanto, reitera, mais uma vez, que o Atlético pode dar alegrias ao seu torcedor.
"Temos um compromisso muito grande com essa nação do Atlético-MG. Nós temos dois anos para realizar um trabalho e poder conquistar um título importante, uma (Copa) Sul-americana, que daqui a 30 dias nós vamos jogar, uma classificação para a (Copa) Libertadores. O projeto do Atlético-MG vai dar certo", reafirma.
E, mesmo com a resistência que começa a surgir de parte da torcida atleticana, em relação ao seu trabalho, o técnico garante que não vai abandonar o barco.
"Meu projeto é o Atlético-MG e não existe a mínima possibilidade de eu sair.
Ao não ser que o presidente cisme de me mandar embora, mas não é o caso porque nos já conversamos bastante sobre o projeto", assegura Luxemburgo.
Questionado sobre as possíveis razões para explicar o fracasso do Atlético-MG na temporada, o treinador surpreende e coloca em xeque o tão propagado "projeto Atlético-MG". "Eu sempre digo que o futebol não é uma ciência exata.
Se fosse, você pegaria os melhores jogadores do mundo e formaria um time.
Nós projetamos uma coisa e aconteceu outra completamente diferente.
E com o elenco que nós temos, com toda a qualidade que nós temos, estamos passando por problemas. Temos que ter calma e continuar trabalhando", resigna-se.
Além de admitir que o "futebol não é uma ciência exata", Luxemburgo atribui parte do insucesso às contingências do esporte.
"O (Edison) Mendez chegou para ser titular da equipe e agora que ele está começando a entrar nos jogos, porque veio com uma lesão quando foi contratado.
O Daniel Carvalho também chegou, nós recuperamos, foi expulso no primeiro jogo e teve uma lesão.
Vai ficar mais umas duas ou três semanas fora. Dois laterais esquerdos se lesionaram ao mesmo tempo. Aí o Jairo Campos se lesionou. Não é desculpa, mas tem que ter um pouco de sorte nas situações", reconhece.
SEM TETO - Outra questão apontada pelo treinador para justificar a má fase do Atlético-MG é a falta de um estádio para mandar seus jogos.
No Brasileirão, o clube já jogou na Arena do Jacaré, em Sete Lagoas, e no Ipatingão.
O treinador, porém, afirma que o time sente falta da apaixonada torcida alvinegra e de um local onde se sinta verdadeiramente em casa.
"Quando chegar em Ipatinga, vou jogar em um campo neutro e isso fortalece o adversário.
Eu joguei em Sete Lagoas, contra o Inter, um baita de um time, com 3.000 pessoas, num campo para 7.000.
O adversário se sente em casa e pensa: isso aqui é time pequeno, vou passar por cima dele'.
A vantagem de Flamengo, Corinthians, Atlético-PR e Atlético-MG é o calor da torcida, o calor humano de 40 mil, 50 mil incentivando.
E não temos tido isso, pois estamos jogando sempre fora de casa", reclama Luxemburgo.
Para o treinador, os políticos de Minas Gerais têm que se mexer para evitar um prejuízo ainda maior para os clubes do estado, que sofrem com o fechamento do Mineirão para as obras da Copa do Mundo de 2014.
"Espero que eles tenham a sensibilidade política para entender que o futebol mineiro teve um prejuízo muito grande.
Tratar de fazer o Estádio Independência ficar pronto logo, porque quem vai ser prejudicado são os clubes mineiros.
Eles (os políticos) têm que chegar a um acordo rapidinho e terminar as obras do Independência para a gente ter um local como os times paulistas têm o Pacaembu", cobra Wanderley Luxemburgo.(Gazeta Esportiva.net)