Mulheres e mulheres, é possível isso?
Zélia Nolasco Freire*
Na semana passada, encontrei-me com um colega, professor, nos corredores da Universidade, o qual me chamou a atenção ao fato de que propus às mulheres um caminho difícil, isto é, estudo e trabalho. Isso porque no artigo anterior, abordei a questão da violência à mulher e o porquê delas continuarem com os seus agressores. Sim, realmente, sugeri como solução, o retorno das mesmas à escola e ao trabalho, aliás, qualquer trabalho, mesmo que seja de revendedora de produtos de beleza, pois a meu ver todo trabalho é digno. Concordei com ele, realmente, estudar e trabalhar, não é tarefa fácil, mas não é impossível, com um pouco de força de vontade e persistência a pessoa supera qualquer dificuldade.
Ele argumentou que existem "Mulheres" e "mulheres", e cada uma com objetivos diferentes. Ainda tentei dizer-lhe, mas são mulheres. Ele insistiu, mas e aquelas que não estão interessadas em trabalhar e, muito menos, em estudar. Querem estudar somente os caminhos que as levam a um companheiro, melhor dizendo, um patrocinador, de preferência que seja rico. Pode ser até velho e feio, mas sem dinheiro, não, ele disse. Isso elas não aceitam. Falava com uma convicção que me pareceu que advogava em causa própria. Aliás, esse tipo de mulher está na mídia: a popozuda, a cachorra, a "pirigueti", a fruta, etc.
Aparecem e desaparecem com uma velocidade que as mulheres que trabalham não se apercebem das mesmas. Mas, tenham certeza de uma coisa, esse não é o caso do público masculino, pois eles têm uma facilidade enorme para não assistirem nada e, ao mesmo tempo, assistirem tudo. Isto porque não param um minuto com o controle remoto. Atente-se para o fato de que mesmo não sendo fácil estudar e trabalhar, o número de mulheres que está nas escolas é bem maior que o dos homens, logo, pode-se deduzir que os telespectadores masculinos representam uma porcentagem bem maior nesse contexto.
Creio que esse tipo de mulher é resultante de uma mídia ostensiva que quer estar em primeiro lugar e nada chama mais a atenção dos telespectadores masculinos que um "rebolation". Estão em exposição inúmeras opções de mulheres: melancia, pêra, melão, moranguinho, etc., na maioria dos casos, essas mulheres "frutas" são meros joguetes nas mãos de seus empresários. No meio televisivo, viraram objeto de disputa entre os programas, quem levar ao ar a mais popozuda, automaticamente, terá maior audiência. Assim pensam eles. Bem, sem falar que se submetem a todo tipo de exposição para estar na mídia. O Big Brother Brasil é um exemplo disso. Uma das concorrências mais acirradas na qual visam uma ascensão rápida: fama e dinheiro. Já que se a participante popozuda não ganhar o prêmio, fará fotos para a Revista Playboy e o futuro estará garantido.
Acabei concordando com o professor, realmente, estudar e trabalhar, não é o caminho mais fácil. Segundo ele, minha indicação talvez fosse o caminho mais apropriado para as bonitinhas, pois as bonitonas e popozudas, (geralmente, elas agregam as duas características), além de posarem para a Playboy, poderão escolher qual dos jogadores de futebol, que seja rico e famoso, no qual irão aplicar o golpe. Tal argumento pareceu-me um pouco preconceituoso da parte dele. Digam-me: há algum mal nisso? Cada pessoa luta com as armas que tem, ou melhor, com os dotes que possui, pois acredito que Deus contempla cada ser de uma forma. A uns, mais inteligência, a outros, mais beleza, a outros, nenhuma coisa nem outra. E, por aí vai. De qualquer modo, apesar do preconceito ainda reinante, com inteligência ou com beleza, a mulher tem o domínio da maioria das situações. Alguém duvida? Se aliarem beleza e inteligência, então, ninguém segura.
*Professora. zelianolasco@uems.br
