Começamos por esta afirmação: Enquanto a maioria dos professores fica contando horas e minutos para o seu último dia de aula antes da aposentadoria, os professores de Cursinho, a maioria deles, não sabem parar, ou não querem parar de dar aulas. Posso dizer que vivi os melhores anos dos Cursinhos no Brasil. Década de 70, 80 e um pouco da década de 90. O gosto por ser o melhor e fazer do aluno sua entranha e a razão de seu sucesso, são virtudes que o tempo está levando embora, sem olhar para trás.
Entrar em sala de aula unicamente com o giz nas mãos era motivo de orgulho para os alunos. Estes podiam e eram estimulados a perguntar o tempo todo, do começo da matéria, do meio e do fim. Era demais. Os alunos nos chamavam com orgulho de mestres. Extasiavam-se, à medida que os meses iam passando e viam, aprendendo e assimilando as matérias, os vestibulares chegando, e com ânsia para que chegassem o mais rápido possível. Tal era o empenho e dedicação total aos estudos. Maravilhavam-se, a cada pergunta feita, pelas respostas dadas pelos tais mestres. Jamais se ouvia dizer: "Pode deixar que vou levar sua dúvida para casa. Farei pesquisa e trarei a resposta pra você". Aquela história de que professor não tinha obrigação de saber toda a matéria era indigna e amoral. Não se ouvia e nem se admitia isso, por nada desse mundo. Por isso, estudava-se ao máximo para atingir o ápice. Ninguém se contentava em saber menos. A responsabilidade de cada professor crescia à medida que se via a necessidade de seus alunos galgarem os melhores resultados em vestibulares tão concorridos.
Não havia tanta Universidade. Não havia tantos cursos universitários. Saber muito era dever do aluno. Sem chance para quem soubesse menos. Imagine a responsabilidade de cada professor. De verdade: Bons tempos. Não voltam mais. Por isso, dificilmente surgirão novos ícones dos Cursinhos. A necessidade faz o gênio. Os tempos, hoje, são outros. Facilita-se ao máximo. Se alguém não faz curso superior é porque não quer, pois pode fazê-lo sem sair de casa.
Devo estar mexendo com os brios dos novos professores, não tanto dos professores novos. Contudo, estou mexendo com a alma e o coração de todos aqueles que foram alunos nas décadas citadas, aqui ou em outro lugar do nosso Brasil. Com certeza, de alma lavada, devem estar sentindo-se privilegiados por terem vivido a magia e apogeu dos grandes Cursinhos.
Professores gabaritavam as provas do vestibular junto aos alunos que saiam das salas do exame. Mal terminava o vestibular e o aluno através da experiência dos professores e da estrutura dos Cursinhos já sabia ou, pelo menos, tinha uma noção, quase exata, da possibilidade de ser ou não aprovado naquele vestibular. O rádio era o centro da motivação, por dias seguidos, como meio por onde os alunos ficavam sabendo de seu sucesso ou não na lista dos aprovados daquele vestibular. Faço, com carinho, homenagens mais do que devidas aos professores Mário Sérgio e Zé Melim (biologia), Bruno Alex (matemática), Nilcéia, Paulo Sérgio e Ascânio (português), Zé Marques (química), Joca (física) e, não me deixarei de fora, na (geografia). Nós sempre fomos os que sugeríamos anulação ou troca do gabarito em questões dos vestibulares, "coisa" que ainda fazemos, mas que os novos ainda não se habilitaram a tal façanha.
Fizemos nossa história e, enquanto o tempo e as condições físicas nos permitirem, estaremos, no palco da vida estudantil, vivendo sonhos e realizando sonhos. Lembro que estes professores citados em sua maioria sempre fizeram parte da Rede Objetivo e, quase todos, ainda estão nas lides, inclusive, da Unidade de Dourados. Parabéns.
Felicito nossos alunos. Eles também estão fazendo e participando dessa linda história humana, onde Educação é realmente um autêntico Ministério abençoado por Deus. "In memorian", faço jus a lembrança do grande e imortal Zé Rocha. Bom dia. Boa semana, lembrando sempre o que é bom de ser lembrado.
*Professor. [email protected]