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Quem poderá entender o ser humano?

Benê Cantelli*

Frases de Nietzsche, Schopenhauer, Unamuno e tantos outros filósofos, marcam a idoneidade do homem na convivência com outros seres humanos sobre a terra, como maldosa. Na verdade uma relação onde a paridade nunca é admitida. Alguém está sofrendo ou alguém está sufocando. Assim vivem os humanos. Lembramos que, nem eles e nem eu, estaremos aqui para dizer que o homem não tem conserto. Não estamos aqui para lastimar, mesmo sabendo que nas palavras bíblicas, Deus assim se referiu, em Gênesis, 6. 5 - 6, : "Ao ver a maldade dos homens e que todos os pensamentos de seu coração estavam continuamente voltados para o mal, o Senhor arrependeu-se de haver criado o homem na terra e teve o coração ferido de intima dor". É de se pensar que Deus fez o homem com tanto carinho e desvelo, pois lhe deu vida e lhe colocou num paraíso onde apenas a felicidade, alegria, ausência de dores e sofrimentos, entre outros benefícios, seriam seu patrimônio. Além disso, Deus concedeu ao homem o tão falado "livre arbítrio". Contudo, este acabou sendo seu algoz e motivo de seu castigo. Para conhecer bem o ser humano, podemos tomar como referência alguns casos que se ouve falar e tantos outros que nós mesmos praticamos. Senão, deixando as belas exceções de lado, vejamos: Quando se vê uma criança não dotada dos mais belos dotes físicos ou estéticos, cria-se, de imediato, a peia de coitadinho, numa clara alusão, preconceituosa, de que apenas os mais bonitos encontrarão um outro belo par. Um rapaz que se mantêm sob os mandamentos anunciados por Deus, quase sempre recebe o pejorativo comentário: Coitado, deve ter tido um problema muito sério em sua infância. Por outro lado, tratam os inescrupulosos que abusam do chamado "bom viver", mesmo à custa do mal alheio, como o garanhão e o esperto. O estudioso é o CDF. (Sigla altamente pejorativa e desagradável). O malandrinho, aquele que dá pouco interesse aos estudos e prefere viver "cutucando" seus pares e arrumando apelidos desagradáveis para os outros, acabam por ser considerados os "bam-bam-bans" da sala. O que vai à igreja é chamado de padre, pastor ou beato, numa clara demonstração de jocosidade e desrespeito. Aquele que bebe, fuma e faz outras coisas mais, passam a ser os que chamam a atenção como verdadeiros ícones do melhor comportamento. Quando uma pessoa começa a ter uma ascensão social, em razão da produtividade e dividendos de seu trabalho, passa a ter, pelos invejosos, a conotação de que está envolvido em coisa errada, tipo traficando drogas ou se aproveitando de benesses políticas. Aquele que está em dificuldade financeira, às vezes, por tentar fazer tudo dentro dos conformes legais, ou simplesmente, por não ter tido o sucesso desejado, passa a ser o coitado, o quebrado, aquele que merece condolências e falsa piedade. Outra, mais comum: Quando há a separação num casamento e um dos cônjuges se casa ou, simplesmente, está namorando uma pessoa mais bonita, recebe a culpa da dissolução do casamento, e passa a ser conhecido como o safado; mas, se por ventura, está com uma menos bonita, passa a ser o coitado, o abandonado, o rejeitado, sem ao menos entender que a beleza é tão somente um dos bons atributos do ser humano. Enfim, quantos são aqueles que se alegram com o sucesso de outrem, inclusive, no seio da própria família? Volto a pensar naquele Deus que se arrependeu de haver criado o homem. Não obstante, e isso me faz adorá-Lo, ainda mais, leio o que está escrito em João 3, 16 e 17: "De tal maneira Deus amou o homem e o mundo que enviou seu próprio filho, unigênito, não para condená-lo, mas para que fosse salvo por Ele, de tal sorte que todo aquele que nEle crer tenha a vida eterna". Isso para mim, é mais do que restaurar o paraíso perdido. Bom dia. Melhor semana, graças a Deus.

*Professor, cantelli@terra.com.br

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