05/04/2012 08h39 - Atualizado em 05/04/2012 08h39
Assessores anônimos
Isaac Duarte de Barros Junior*
Para manterem-se como destaques profissionais políticos e sociais, dependendo dos ganhos auferidos nas atribuições desempenhadas, atualmente algumas pessoas contratam assessores com grandes habilidades. Mantendo-os rigorosamente no anonimato, as funções desses contratados, é projetar qualidades, que deveriam ser predicados intrínsecos nas pessoas consideradas públicas. Assim, esses assessores transformam homens desajeitados, em figuras admiráveis, fenômenos de mídia, ou elementos com dons raros. Mas, tal tipo de trabalho, realizado nos bastidores, jamais consegue camuflar certas falhas.
Para perceber algumas delas, basta ouvir falas de oradores medíocres, discursando no Congresso Nacional. Afinal, mesmo sendo discursos escritos, nunca prendem a atenção dos seus pares. Acredito que tais fatos acontecem, porque a época dos grandes tribunos, falando de improviso no parlamento brasileiro, findou.
E toda essa mixórdia, começou a ser usada, faz muito tempo. Ademais, homens deputados do tipo Carlos Lacerda, que além de excelente jornalista, impro-visando discursava magistralmente, desapareceram. Quanto ao senador Ruy Barbosa, um baiano formidável, este sem comentários. Entretanto, já o presidente Getúlio Vargas, sentindo estar isolado, resolveu sair da vida numa dependência no Catete, “escrevendo” uma carta de despedida.
Ocorreu, que se Vargas rascunhou seu espólio político, encontrado em sua escri-vaninha, os fonemas nela inseridos, olvidaram-se do seu linguajar gauchesco. Tendo oratória regular e calma, Getúlio falando, deu golpes magistrais na democracia brasileira. Todavia, coincidentemente, quando acharam a carta testamento, o jornalista Samuel Wainer era asses-sor apaniguado do velho caudilho.
Diferente daquele estadista, o rabino Jesus Cristo, não tinha assessores qualitativos ou alguém para escrever sobre seus feitos na Bethânia, Galiléia e Jerusalém. Supostamente, muitos iniciais seguidores desse profeta, foram humildes pescadores analfabetos. Ora, está óbvio que determinados evangelhos, devem suas melhores narrativas, ao helênico Saulo de Tarso. Este, no período do império romano, dominava corretamente sua língua grega, que mundialmente equivalia a falar inglês fluentemente, em nosso tempo.
Místico, mudou seu nome para Paulo, fazendo milhares de pregações aos gentios. Destarte, esse grego foi o arquiteto do novo testamento bíblico. Porquanto, tivesse ele evangelizado pessoas no dialeto da Galiléia, esse pregador de eras passadas, teria causado efeitos religiosos menos impactantes, nos povos do ocidente. Desse modo, determinados explorados mercantilismos, embasados na crença cristã, hoje seriam certamente menores.
Neste momento, por exemplo, interesses apresentando caracte-rísticas de incompetência no exercício das funções públicas, podem estar passando dificuldades em qualquer segmento social, até serem trabalhados pelos leais assessores.
Porém, ditas correções só ocorrem, graças aos labores desses contratados, escrevendo seus discursos, planejando suas leis e peticionando na justiça. Creditando, dessa forma, suas minutadas autorias redacionais, a quem nunca as possuiu verdadeiramente.
Evidenciando, seus megalomaníacos chefes. Todavia, a nobreza desses assessores, apelidados de “quebra-galhos, braços direito, etc...”, rotineiramente fazem parte da crescente folha de pagamentos em dinheiro público ou mesmo particular, visivelmente usada por farsantes, para suas mantenças numa situação confortável.
Enfim, aconselho usuários de assessores, neste avanço dos co-nhecimentos humanos, ter mais cautelas, considerando a sede como ultimamente bebem nos copos conspícuos. E se o peixe morre pela boca, alguns brasileiros suicidam, ao abusarem na internet, da imprensa investigativa. Desta maneira, podemos observar diversos escritos (não importa qual seu real autor), textos postados nos meios de comunicações, assinados por próceres políticos.
Os quais ressuscitaram velhos métodos usados pelos varguistas, utilizados inclusive, na histórica carta testamento. Porém, analisando desempenhos da oratória limitada de alguns parlamentares, ou pesquisando suas declarações feitas ao vivo, logo perceberemos haver algo de estranho acontecendo, na lavra dos artigos assinados como fossem de seus cunhos. Quiçá, sendo homens espertos, tenham aprendido a psicografar textos de fantasmas, depois de tanto conviver com os seus congêneres, nas suas criticadas folhas de pagamentos...
*advogado criminalista, ex-jornalista militante