30/03/2012 09h20 - Atualizado em 30/03/2012 09h20
Isaac Duarte de Barros Júnior*
Daqui mais cinquenta anos, curioso me questiono, qual seria o tamanho urbano de Dourados e seu numero de habitantes, com historiadores contando como antigas, as passagens de acontecimentos atuais. Novas sandices, acredito, estarão postadas nas páginas web, caso os historiógrafos do presente, renovem velhas mentiras, referentes às datas douradenses importantes.
Certamente, quem tomar conhecimento delas futuramente, lendo as aceitará como efemérides verdadeiras. Porque, nas escolas primárias municipais, os educadores sem culpa pelo ensinamento, lecionam inverdades datadas nos festejos nativos. Desse modo ocorrendo, outras gerações induzidas em erros, deverão festejar datas equivocadas, formalizadas nos feriados municipais importantes, recordando a fundação do povoado douradense.
Inclusive, que este município promissor, foi transformado em modelo, nos anos sessenta do século vinte. Depois, na divisão estadual, se tornou o segundo em tamanho urbano e importância, no inaugurado estado federativo. Mas, apesar disso tudo acontecer, me aborrece presenciar tantos absurdos, feitos sem rodeios, por douradenses adotados.
E possivelmente, numa época futura, transcorridas essas décadas imaginadas, os maus de caráter dando plantão, devem valer-se dos dúbios fatos não corrigidos nos anais históricos deste município. Todavia, agora ninguém contestará os descendentes em 1º grau dos pioneiros de 1894 na região, pois estão vivos. Porém, na segunda metade do século vinte um, sem eles para contestarem inverdades, catalogarão utopias como história. Penso que nesse amanhã, de dez lustres transcorridos, parafraseando Alexander Stille, dificilmente desmentirão uma mentira contada mil vezes.
O advogado Weimar Torres, sabia que a Dourados cabocla do seu tempo, crescia em desenvolvimento vertiginoso. De igual modo, sabe-se pelos jornais impressos arquivados, que recebíamos muitos trabalhadores nordestinos. Afinal, houve um período espantoso, desembarcando gente todos os dias das “jardineiras” do Adão Loureiro Queiroz, para labutar na Colônia Agrícola Nacional de Dourados. No meu entender, essa multidão de retirantes, protagonizou uma reforma agrária que deu certo, impulsionando Dourados, ao destino reservado como ordeira capital de região polo. Esforçados nas roças, puxando enxadas a partir de 1941, esses agricultores migrantes, respeitavam as regras e a todos. Notadamente, os outros brasileiros, que chegaram de carretas setenta anos antes, de vários lugares do país.
Ercília de Oliveira Pompeu, neta do desbravador João Rosa Góes, escreveu que estas plagas douradenses, conheceram-na como o Povoado das Três Padroeiras. Entretanto, o Dr. Júlio Capilé, médico, herói de guerra e respeitado historiador sul-matogrossense, garante que os povoadores de Dourados, inspirando-se no rio abundoso desse peixe, sempre se referiam ao vilarejo, chamando-o Dourados desde a sua formação. Ora, se nem os dois maiores conhecedores da história douradense, mudaram verdades do seu curso, o que pensam ser certas figuras nesta hospitaleira cidade, para ousarem mudar fatos seculares, alcunhando de pioneiros, moradores de apenas cinquenta anos! Incluindo outras tentativas, muito próprias de malandragens forasteiras.
Desta maneira, buscando sua inconfundível identidade, sem invencionices, Dourados tem muito que aprender e ensinar, dando continuidade ao seu vertiginoso progresso, noticiado em outros tempos, quando todos os dias, nasciam crianças fortes e rosadas, futuros caboclos úteis. Quanto à violência urbana crescente, desafiando autoridades e vitimando pessoas do bem, é nosso lado negativo.
E ocorre produzida pela insegurança pública oferecida aos cidadãos, graças à falta de melhores estímulos, aparelhagens e ofertas de bons salários a policiais, para poderem combater crimes. Afinal, as nações desenvolvidas deste planeta, preocupam-se é com saúde, educação e segurança. Ao contrário dos nossos políticos administrando-a, preocupados em construir presídios de segurança máxima. Enquanto isso, descrentes do sistema, desiguais sociais hostilizados, são queimados nas calçadas de metrópoles, pelos capangas de estabelecimentos comerciais, jagunços dos usuários de passeios públicos, que mandam agredir a quem implora um prato de comida...
*criminalista, ex-jornalista militante
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