17/04/2012 10h24 - Atualizado em 17/04/2012 10h24
Wilson Matos da Silva*
Nestes 512 anos de invasão colonialista, a história registra que o número de indígenas em 1500 (época da invasão), era de aproximadamente 6.000.000 (seis milhões) de indivíduos. Hoje, somos aproximadamente 800.000 (oitocentos mil), mas que o Governo Federal reconhece apenas 410.000, que integram 230 povos, falam cerca de 180 línguas, ocupam 11% do território nacional presente nos seis biomas brasileiro (Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica, Floresta Amazônica, Campos Sulinos e Pantanal).
Da época do “descobrimento” até os dias atuais os índios brasileiros sofreram um longo e penoso histórico implacável processo de extermínio, vez que os nossos povos foram praticamente dizimados e, em alguns estados desapareceram quase que por completo. Nesta história toda de mais de cinco séculos, é preciso dizer que o Brasil, mesmo detentor de uma das mais vastas regiões de florestas tropicais do planeta, como a Amazonas, os nossos povos indígenas também foram vítimas em potenciais de todo tipo de exploração, maltrato e perseguição.
É lamentável, para não dizer vergonhoso, o tipo de tratamento que a sociedade brasileira dispensa a nós povos indígenas. Uma ingratidão das mais absurdas e ignominiosas, já que um dia, o Brasil pertenceu exclusivamente aos povos indígenas. Se caso tivéssemos forçosamente que procurar os verdadeiros donos do Brasil, indubitavelmente, seriam nós os índios seus verdadeiros proprietários. E não os homens brancos. Os brancos no mínimo são os autênticos e tenebrosos usurpadores deste sagrado chão. Eles tornaram nossas vidas muito difícil.
Nascer índio no Brasil é adquirir como certidão de batismo, a pecha de bugre e indolente, é mais um a aumentar a fileira dos que só querem ter direitos e não deveres é empecilho (estorvar embaraçar) ao progresso da “civilização”. É assim que a sociedade percebe os povos indígenas. Nesse País um palhaço analfabeto canta “forentina, forentina, forentina de Jesus...” e vira sucesso, as rádios executam a todo instante, mas os Bro Mc's – ao cantar no programa da Xuxa, Eju Orendive e recebe as mais ridículos comentários desta sociedade hipócrita e preconceituosa. É assim que agem com os nossos povos desde sempre.
O espírito de um capitalismo saqueador e aventureiro do colonizador português confrontou-se com as idéias e vivências das nossas tribos indígenas em relação ao trabalho e ao que disto decorre, o que significou um abismo cultural. Essa percepção errônea se traduz em reações sistemáticas de discriminação em todos os aspectos, condenando-nos assim, ao ostracismo e ao degredo coletivo.
A sociedade brasileira no fundo tem uma imensa e impagável dívida moral com os nossos povos indígenas. Essa grande parcela da sociedade embrutecida por um sistema de acumulação de bens, onde formam verdadeiros SELVAGENS capitalistas, que se arvoram e se lançam sobre a desgraça dos menos favorecidos. No inicio da relação escravocrata que se estabeleceu com os invasores, nossos antepassados dóceis e amáveis com os invasores pensaram que poderiam educar seus espíritos para que eles pudessem aprender com os nossos povos, que a vida é a imanência da natureza, e, portanto não vale a pena ser vivida a não ser com paz, liberdade e justiça.
Que este 19 de abril – o famigerado dia do índio -, sirva ao menos como um momento especial para uma reflexão profunda acerca do verdadeiro significado e importância dos nossos povos indígenas para cada um brasileiro de bem, para o Brasil de hoje e, para o mundo em geral. Na sua necessária perspectiva de futuro e de sustentabilidade ambiental. Que possam as pessoas de bem desse país- que não são muitas - mergulhar dentro de si mesmas e, finalmente perguntar: Neste dia do índio, o que haveremos mesmo estamos comemorando? E que não se esqueçam de lembrar o terrível legado de destruição, abuso, desrespeito e extermínio que historicamente o Brasil vem dispensado aos povos indígenas.