11/04/2012 08h40 - Atualizado em 11/04/2012 08h40
Júlio Capilé
Em todo núcleo religioso cristão existem mãos estendidas pedindo a Jesus os benefícios desejados intimamente. Aflitos, ansiosamente pedem para conseguir um bom emprego, outros desejam mais riqueza, e outros ainda, o amor de determinada pessoa.
Sem esforço algum para sair da situação em que se colocaram, muitos pedem para libertar-se da própria teia em que se enredaram. Se esse pedido é originado por um arrependimento sincero, é natural esperar que Jesus atenda e os ajudem a visualizar um meio de conseguir seus fins.
Nós devemos ponderar nossa atitude, principalmente no modo de pedir e de receber. O pedido justo é o que engloba certa responsabilidade sobre o uso do que faremos dali para frente.
Onde vemos no Evangelho a ordem do Mestre para estender a mão, e que está registrado em Marcos, 3:5, foi àquele homem que tinha a mão seca. Jesus ordenou que es-tendesse a mão e ela ficou sã. Jesus curou. Não lhe deu bolsa de ouro. Deu-lhe a oportunidade de trabalhar e não necessitar mais pedir esmolas. Se ele recebeu a cura e não usou a mão para o trabalho edificador, provavelmente ela ficaria mirrada pela falta de exercício.
Jesus não atendeu a um pedido para exibir Seu poder. Foi uma lição sobre o poder da fé. E um auxílio àquele homem a sair da penúria em que vivia. Deu-lhe a possibilidade de conquistar situações para as quais estaria capacitado usando o esforço próprio. Poderia evoluir, mudar de situação e até conseguir outro patamar social. Mas, a mão curada naquele instante continuou vazia.
Recebida a ajuda celeste, devemos compreender que aqui estamos para produzir alguma coisa. Temos missão ou missões a cumprir. Mãos sadias requerem esforço em nosso próprio bem e no bem dos que, por sua vez, nos estendem as mãos.
Estejamos sempre preparados para atender a solicitação do desamparado da sorte, daqueles que arrastam fardos pesados de dor e de penúria nas veredas da existência. Que nossa atitu-de seja a de procurarmos minorar penares e de ensinar como poderá o sofredor sair da-quela situação. É como a conhecida alusão de ensinar a pescar, além de dar o peixe.
Portanto, quando estenderdes as mãos ao Senhor, não espereis prerrogativas a que não mereceis. Aprendei a receber as bênçãos do Senhor para restaurar vossa energia para o labor santificante. Pelo esforço no bem todo trabalho será abençoado e todos que esforçam por melhorar-se serão ajudados. Às vezes passamos por vicissitudes, mas são as provas para “passarmos de ano”. São coisas naturais e que passam. Recebamo-las como um presente do Céu.
*Médico. Escreve às 4ªs feiras no O Progresso.
Nota de desculpas: No artigo da semana cometi um erro. Em vez de mortificações, grafei morticínios, que é coisa completamente diferente. Perdão, pois, leitor . Julio