23/03/2012 15h11 - Atualizado em 23/03/2012 15h11
Embora sempre se tenha em Cursos de Graduação bons a excelentes alunos, os quais deverão se tornar profissionais do mesmo gabarito, cumprindo dessa forma o seu papel na nossa sociedade, boa parte deles ficam, no entanto, aquém do desejável e, nesse caso, inclusive eles próprios irão ser prejudicados. Esse prejuízo fica por conta de sua capacidade restrita em de competir por uma vaga no mercado de trabalho, altamente exigente com qualidade.
Atualmente, e isso posto de forma geral, a partir do momento em que um estudante, em solenidade oficial de colação de grau recebe seu diploma, recebe juntamente a autorização e liberdade de poder exercer a profissão que abraçou. Para chegar a esse momento, dependendo do Curso que escolheu, ele deve ter permanecido entre 4 a 6 anos na Universidade. A pergunta que se põe é se, durante esse período, ele realmente aprendeu o necessário e suficiente para atuar a contento na área de trabalho que escolheu e, portanto, se ele estaria apto a trabalhar na profissão que escolheu?
A princípio, para a maioria das profissões, a posse do diploma outorga ao recém formado a oportunidade de atuar na área em que formou. Defende-se, desse momento em diante, que haja exames nacionais para esses recém formados, em todas as áreas de conhecimento, similar ao que temos no Brasil, na área do direito, que ao meu ver, é um exemplo de sucesso a ser seguido.
Existia uma polêmica sobre a legal possibilidade da aplicação desse exame aos recém formados na área do direito, no entanto, aos 26/10/2011 o STF, por unanimidade, decidiu que o exame aplicado pela OAB é constitucional. Nesse ato, além do relator do processo afirmar que o exame não viola a liberdade de exercício da profissão, outro ministro colocou que a aprovação nesse exame mostraria condição minimamente admissível para o exercício dessa profissão e que, se eliminado, causaria prejuízos para a sociedade.
O MEC começou a atuar nessa área e, via exame Nacional de Cursos, já está até fechando, em um processo longo e lento, alguns Cursos, em variadas áreas do conhecimento, que são qualificados como não oferecedores da qualidade mínima desejada. Isso, no entanto é insuficiente, pois, para atender a necessidade do nosso povo e do próprio recém formado, o ideal é que todos os profissionais tivessem um mínimo de conhecimento atestado por exame pós-formatura, que poderia inclusive ser patrocinado pelo próprio MEC.
Algumas justificativas podem ser postas para a existência de um exame geral para atestar uma qualidade mínima aos formandos de Cursos Superiores, dentre elas se poderia ter:
1) A nota mínima que um estudante deve obter para ser aprovado nas disciplinas que compõem a estrutura curricular dos Cursos de Graduação varia entre 5 e 7, o que implica em se ter no mercado de trabalho, para atender às nossas demandas, um profissional proporcional à essas notas.
Creio que merecemos poder contar com serviços técnicos de profissionais com maior qualidade que 50 a 70% mínimos cobrados dos estudantes para sua formatura.
2) Considerando que a atualmente a competitividade entre os profissionais por um lugar no mercado de trabalho é grande (a concorrência chega ser até 1000/1), todos seriam obrigados e se preparar melhor e, portanto, ter mais competitividade pela vaga a ser oferecida.
3) É injusto um estudante que, estudando mais, por ter a pretensão de ser um técnico mais gabaritado, e assim melhor atender a sociedade, tenha a mesma chance de trabalho que outros recém formados que durante o Curso de Graduação tiveram como prioridades outras preocupações que não o aproveitamento no ensino.
Nesse contexto os próprios recém formados teriam muito a ganhar a médio e longo prazo, pois o nosso consumidor estando mais exigente em qualidade, pagaria mais pelo valor dos serviços realizados e que serão recebidos pelos nossos novos formandos.
Se algo desse tipo for feito, ganham os profissionais recém formados, ganha os consumidores e ganha o Brasil, que ficará mais competitivo, aumentando sua participação no mercado de exportação mundial, que em 2011 foi de apenas 1,6%.
*Prof. FCA/UFGD
