30/04/2012 09h57 - Atualizado em 30/04/2012 09h57
Atos cometidos dentro dos limites, ou conforme as circunstancias que ocorrem, no mínimo devem obedecer algumas regras. Mesmo porque, ninguém está obrigado a tolerar gente socialmente desajustada, abusando da paciência do próximo. Nossa obrigação educacional, por exemplo, materializa-se no fato de ao usarmos quaisquer recursos modernos, jamais incomodarmos outras pessoas. Entretanto, em nosso país, novidades ao deslumbrarem a massa, mexem com o comportamento das pessoas, invariavelmente chegando com alguns anos de atraso. Assim, aconteceu na era do rádio, depois ocorreu no auge da televisão e agora sucede através dos usuários de telefonia celular.
Esse meio de comunicação, há trinta anos em operação nos Estados Unidos, portanto a partir de 1983, já existia no Japão e na Suécia desde 1979. Atualmente, o número de celulares por assinatura no planeta, se aproxima dos seis bilhões de assinantes. Mas aqui, esse objeto moderno surgiu em 1990 no Rio de Janeiro e São Paulo. Segundo dados estatísticos, a atual soma de aparelhos celulares vendidos no país, passa em números, o da população nacional. Todavia, gafes públicas, pelo menos as mais risíveis, hoje são proporcionadas por usuários dos aparelhos telefônicos celulares, começando pelos sons irritantes, emitidos nas chamadas desses telefones, os quais são incontáveis.
Sabidamente, gerações envelheceram, sem nunca possuírem aparelhos fixos de telefones nas suas residenciais. Não podendo adquiri-los, usavam “orelhões”. E pelo jeito, movidos pelo hábito antigo, agora podendo ter um celular, exibem-no colado aos ouvidos, conversando alto, caminhando nas ruas. Outros, dirigindo veículos, presentes em velórios, missas, cultos, cinemas, repartições públicas e transportes coletivos, atendem celulares. Dessa forma, seja por qual razão for, tornou-se comum aparecerem chatos mal educados, grosseiramente fazendo ligações desses aparelhos móveis. Ademais, seus usuários mais arrebatados, tiram fotos da parentalha, filmam acidentes e agressões, inclusive assaltos.
Sem possuir preparo de profissionais em segurança, estes imbecis ao filmarem com celulares, colocam suas vidas em risco. Muitos, orientados pelos impulsos leigos, gravam conversas sem autorização judicial, como se pudessem valer-se delas, na forma de provas, em futuros processos. Desta maneira, alguns idiotas confessando-se dependentes do aparelho móvel, espantosamente chegam a declarar na mídia, não mais saberem viver no cotidiano, faltando-lhes um telefone celular ao alcance da mão.
Paralelamente, pelo vídeo dos computadores, oitenta milhões de brasileiros, comunicam entre si diariamente. Enquanto profissionais diversos, querendo trabalhar nesse aparelho, não mostrando no MSN as condições de: “invisível, ocupado ou ausente”, enfrentam na hora das suas digitalizações, interrupções a todo o momento, feitas pelas chamadas de quem nada de útil tem para fazer. Sites, trazendo notícias em tempo real, sucedem a imprensa impressa, mantendo as pessoas conectadas com o mundo, mostrando a realidade tal qual ela é.
Blogs interessantes, formadores de opinião, outros maldosos, de conteúdo sem ética, podem ser acessados a vontade. Inclusive existem blogueiros, escoltados pela mesma matilha raivosa, formada por internautas recalcados, postando bobagens de barnabés insatisfeitos, explorando assuntos repetitivos. Estes se qualificam como inteligentes, embora o tudo ali tolamente articulado, nada signifique em comunicações. Finalmente os twitters, no meio dessa avacalhação extremada, orquestram o som noticioso dessa babel.
Jornais impressos tradicionais, tipificados nos blogs delirantes como dinossauros da comunicação e periódicos a caminho do fim, são invadidos pelos internautas ungidos leitores, que enviam e-mails aos colunistas preguiçosos, dando seus palpites inócuos, a respeito de posicionamentos sociais e políticos. Estes internautas, trazendo anseios jornalísticos participativos, não proporcionados para eles no passado, tornam-se tão frequentes com essas opiniões nesses espaços, que dão a impressão de estar associados nessa empreitada, aos responsáveis pelos comentários ali articulados. E opinam tão continuadamente, ao ponto de transforma-los em colunistas de recados...
*advogado criminalista, ex-jornalista militante.