26/03/2012 10h56 - Atualizado em 26/03/2012 10h56
Waldir Guerra
A educação sempre apontada como o maior obstáculo a ser superado pelo Brasil para entrar no primeiro mundo, passa agora por seu teste mais importante: a valorização de seus professores.
É verdade que o Brasil está sempre nos últimos lugares em matéria de educação dos seus alunos quando confrontado com seus vizinhos. E não somente no desempenho dos seus alunos, mas também dos professores.
Os salários dos professores brasileiros, se comparados com os demais países, só rivalizam com os mais pobres. Nosso Piso Nacional de acordo com a Lei 11.738/2008 de 1.451,00 é pouco mais de dois salários mínimos.
Pois é; e mesmo assim, dezessete estados brasileiros não cumprem a Lei segundo a CNTE, Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação.
Pior, um dos estados que não cumpre essa Lei é o Rio Grande do Sul. Seu governador, Tarso Genro, se dá ao desplante de contrariar essa determinação com evasivas. Mesmo sabendo que o STF, Supremo Tribunal Federal, acaba de confirmar a obrigação de todos os estados brasileiros terem de cumprir essa Lei. E logo ele que foi Ministro da Justiça. E sem esquecer que também foi Ministro da Educação. O que dizer mais dessa sua atitude?
Mais importante que relacionar os demais estados que não cumprem a Lei, melhor citar os que a cumprem. Segundo a CNTE os estados que a cumprem são: Mato Grosso do Sul, São Paulo, Mato Grosso, Pernambuco, Pará, Goiás, Distrito Federal e Maranhão.
Tudo indica que a mentalidade dos nossos governantes com respeito à educação é representada pela opinião do governador gaúcho. Isso significa que pouco se pode esperar numa melhora rápida e eficiente na forma de educar nossas futuras gerações.
O bom exemplo para melhorarmos nossa educação a temos nos países asiáticos. O primeiro pode ser o Japão que destruído por uma guerra mundial adotou uma escolarização forçada e deu a volta por cima, tanto econômica como socialmente. Mas o melhor e mais atualizado exemplo vem da Coréia do Sul. Ela aplicou em educação todo seu esforço nessas últimas décadas e hoje é um dos países que mais exportam tecnologia. Sim, porque eles, os sul-coreanos, já chegaram até aqui no Brasil com suas fábricas de automóveis, televisores, telefones celulares e navios. Talvez você nem tenha se dado conta e seja um proprietário de um automóvel da marca Yundai ou, então, Kia. Hoje os bons carros sul-coreanos estão concorrendo diretamente com os melhores automóveis americanos e europeus. Até a Toyota anda perdendo mercado para eles.
Comparar o desenvolvimento sul-coreano – feito em apenas algumas décadas – com sua vizinha Coréia do Norte é a melhor maneira para convencer nossos governantes da importância, e também urgência, em melhorarmos a educação dos futuros brasileiros.
O Brasil gasta mal o dinheiro destinado à Educação e a prova disso é o a própria comparação com a Coréia do Sul que gasta 4,2% do seu PIB e o Brasil 5,1%. Muitas coisas precisam ser melhoradas na área do ensino e educação e preciso concordar com o economista Vítor Wilher que é necessário “(i) inverter a prioridade de financiamento atual entre os diferentes níveis de ensino; (ii) melhorar a formação inicial e construir um mecanismo de formação continuada de professores; (iii) construir mecanismos de responsabilização docente”.
Mas o Brasil precisa dar inicio a esse processo e já que atravessa um bom momento econômico precisa aproveitar a oportunidade e tornar-se um pais de primeiro mundo. Um bom começo seria deixar as evasivas de lado e melhorar os salários dos professores da educação básica.