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quinta-feira, 29 de fevereiro de 2024

A apólice de seguro de uma humanidade angustiada – Washington Araújo

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06/12/2012 09h59 – Atualizado em 06/12/2012 09h59

A apólice de seguro de uma humanidade angustiada

Washington Araújo*

A Declaração Universal dos Direitos Humanos chega aos 64 anos de existência com alguns excelentes frutos: moldou comportamentos, definiu responsabilidades, criou laços de solidariedade, destacou temas vitais como dignidade humana, justiça, liberdade e segurança coletiva. Em alguns de seus aspectos fundamentais ainda é uma carta de boas intenções.

Neste último meio século mais de uma centena de nações vieram à existência. A Declaração de Direitos Humanos, esteve reforçada na função de representativa da totalidade das nações emergentes ao ser gradativamente ratificada pelo dobro dos países signatários originais. Ela é o documento básico que articulou os direitos inalienáveis de todos os membros da família humana e de certa forma, seu conteúdo poderia ser visualizado como sendo o conjunto de anseios e esperanças acalentados por gerações de homens e mulheres, crianças e idosos, das mais variadas raças, etnias e crenças religiosas – anseios e esperanças essas pelos quais todos de alguma maneira viveram, lutaram e pereceram.

Guerras e conflitos sangrentos foram travados sempre que temas relevantes como justiça, liberdade, dignidade ou soberania nacional estiveram ameaçadas pela mão forte do opressor. Esta Declaração representa o melhor que uma humanidade angustiada saída dos escombros da segunda Grande Guerra poderia produzir. E tem personificado de certa maneira uma apólice de seguros – sem data de prescrição – para uma humanidade sempre arredia ao bacilo da guerra.

Quando nossos olhos são violentados por crianças “vestidas de pele e osso” em tantas nações africanas, asiáticas, latino-americanas em contraponto com o desperdício acumulado no leito da civilização ocidental, dita cristã, dita europeia, ficamos consternados e em alguns casos indignados: há de um lado, excesso de alimentos e de outro, excesso de fome e de miséria. Uma época que vê os povos do mundo tendo acesso crescente a todos os tipos de informação e a uma diversidade de ideias irá descobrir que a justiça se afirma como o princípio governante da organização social bem sucedida. Aos olhos de Deus, assegura Bahá’u’lláh (1817-1892), “a justiça é a mais amada de todas as coisas, pois permite que cada indivíduo veja com seus próprios olhos e não através dos olhos de outros”.

A interdependência entre povos e nações é, à medida que vemos tomar velocidade o corrente século XXI tão evidente quanto a constatação que em 1989 foi derrubado o Muro de Berlim e extirpado da face da humanidade essa sua última cicatriz conseguida durante a II Guerra Mundial. Este documento ainda precisa transpor os limites dos protocolos internacionais e se transformar em políticas públicas sólidas, reais, encetadas e monitoradas de perto por governos de todos os povos e nações. É assim que saudamos este próximo dia 10 de dezembro, a data que evoca aquele ano de 1948, o dia em que a humanidade aprovou o inteiro teor da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Washington Araújo é advogado, jornalista, escritor, palestrante e ativista dos direitos humanos. Colunista do Observatório da Imprensa, Carta Maior e outros noticiosos do Brasil. Ele é ombudsman da DHnet, Rede Brasileira de Educação em Direitos Humanos (patrimônio da Unesco); membro dos Institutos Históricos e Geográficos da Bahia e do Distrito Federal; membro da academia de letras do Distrito Federal; autor e co-autor de 17 livros, publicados em cinco países. Possui mestrado em Cinema pela Universidade de Brasília

Washington Araújo, jornalista, escritor, ativista dos Direitos Humanos

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