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domingo, 3 de março de 2024

Projeto apresentado à Marina há 20 anos ainda “dorme” no Ministério 

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Luiz Carlos Luciano

Há pouco mais de 20 anos, em abril de 2003, a então ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, recebeu o projeto do Parque Ecológico Laranja Doce de Dourados, uma proposta que, na realidade, se arrasta sem solução definitiva desde 1994.  

Coincidentemente Marina volta a ser ministra e o projeto continua esquecido por falta de vontade política verdadeira para se viabilizar a verba. 

O grupo de Dourados na audiência tinha peso político: o então prefeito Laerte Tetila, os deputados federais João Grandão e Geraldo Resende, o vereador Walter Hora e o incansável defensor do projeto, o seu idealizador Luiz Carlos Ribeiro, arquiteto e urbanista. Acreditava-se que o alinhamento político petista entre a Prefeitura, Governo do Estado e Governo Federal facilitaria as coisas, mas a história mostrou que não.   

Será que agora vai? Essa é a pergunta que o Ribeiro faz ao refletir sobre essa curiosa janela do tempo. A execução desse parque é fundamental para se preservar o meio ambiente urbano e manter a qualidade de vida da população. O Laranja Doce, no quintal da cidade, é o maior córrego dentro da malha urbana e continua agonizando pela ocupação imobiliária e por todo tipo de contaminação, com aproximadamente 60 km de extensão da nascente nos limites entre a cidade e a Reserva Indígena até desaguar no Rio Brilhante recebendo o córrego Laranja Lima no meio desse percurso.  

A sua preservação representa um ativo ambiental precioso, mas, apesar da sua relevância, tem sido relegado sistematicamente para não fugir à regra ambiental como um todo. Hoje em dia os mandatários de plantão mal lembram da sua existência, salvo falas superficiais descontextualizadas ao sabor do vento. 

Nos idos dos anos 90 houve uma forte mobilização social em torno da sua implantação, embora, na mesma proporção, os chacareiros cujas áreas estavam inseridas se opuseram ferozmente em defesa da propriedade sem compreenderem o propósito maior: a preservação implica na incorporação desses espaços como parte do patrimônio público e todos seriam, no final, beneficiados.  

Projeto apresentado à Marina há 20 anos ainda “dorme” no Ministério 

Trata-se de projeto prevendo a ocupação de uma área de 217 hectares, a preservação do córrego com a recomposição da mata ciliar, criação de área pública com equipamentos como parque da nascente, zoológico, horto florestal, jardim botânico, jardins bosques, parques das artes, parque recreativo-desportivo, entre outros. Os proprietários poderiam continuar em suas áreas que, por consequência, seriam supervalorizadas e receberiam investimentos de milhares de dólares sem gastar um centavo. Além de serem indenizados poderiam permanecer em comodato.  

Dourados possui nove córregos na malha urbana e próximo dela, espaços que podem e devem ser transformados em parques. O Laranja Doce é o principal. Em Curitiba existem vários espaços desse tipo usados como “city tour”.  

O tempo é o senhor da razão – frase atribuída a Marcel Proust. “Quem sabe, agora, a vontade política de casa, retome aquela conversa lá dos idos de 2003 com a Ministra e possa reabilitar tão importante empreendimento para Dourados”, disse Ribeiro. 

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