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sexta-feira, 12 de abril de 2024

Estudo encontra agrotóxico com potencial cancerígeno em rios pantaneiros

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Pesquisa inédita revelou presença uma substância que pode causar câncer em pontos do rio Santo Antônio, que é manancial de abastecimento do município Guia Lopes da Laguna, como também afluente do rio Miranda, um dos principais da bacia pantaneira de Mato Grosso do Sul.

A substância encontrada foi o Carbenzadim, um agrotóxico que está com a utilização proibida no Brasil, desde 2022. Os dados do Relatório de Resíduos de Agrotóxicos no Rio Santo Antônio foram apresentados nesta sexta-feira (22), pela Ong SOS Pantanal no dia Mundial da Água em um evento realizado na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). 

O biólogo e diretor de Comunicação e Engajamento do SOS Pantanal, Gustavo Figueirôa, acredita que provavelmente estão utilizando estoques do pesticida que haviam sido adquiridos antes da proibição no país. O uso da substância, que além de ser cancerígena, traz outros malefícios como pode causar a esterilidade em seres humanos e animais. 

“Algo muito preocupante porque pode afetar não só a fauna da região como as pessoas que moram ali e dependem do Santo Antônio para sobreviver”, alerta Gustavo Figueirôa que completou: “Constatamos a presença de altos níveis de nitrato e fosfato, presença de coliformes fecais e, principalmente, de substâncias tóxicas”.

O relatório também destacou a falta de manejo correto para a conservação do solo e da água que são destinadas à produção de grãos no entorno do rio Santo Antônio, assim como o plantio da soja em áreas que costumeiramente eram pastagens que agora estão contribuindo para a contaminação da água.

Outra razão de escolha do monitoramento do rio Santo Antônio ocorreu pela baixa Área de Preservação Permanente (APP), conforme determina o Código Florestal, assim como o manejo inadequado do solo. 

Estudo encontra agrotóxico com potencial cancerígeno em rios pantaneirosDivulgação SOS Pantanal / Plantações o longo da margem do rio, conforme detectado pela referida coleção de dados

O SOS Pantanal, destacou que a instalação de curvas de nível, integradas com a mata ciliar APP, é um dos garantidores decisivos para a manutenção da qualidade da água dos rios. 

Levantamento

O estudo iniciou durante a safra da soja entre outubro de 2023 até março de 2024, que percorreu o rio Santo Antônio, o principal afluente que desagua no rio Miranda. Em três pontos distintos encontraram a presença do agrotóxico. Confira o gráfico:

Estudo encontra agrotóxico com potencial cancerígeno em rios pantaneirosDivulgação SOS Pantanal / Tabela 3: ao longo do Rio Santo Antônio, nos limites municipais de Guia Lopes da Laguna e Jardim

O Relatório de Resíduos de Agrotóxicos no Rio Santo Antônio,  apresentado em um evento que reuniu pesquisadores na data que faz alusão ao dia Mundial da Água, é propício para debater a importância preservação, manejo correto do solo pela agricultura e debater soluções. 

A pesquisa inédita foi liderada pela engenheira ambiental Jahdy Moreno Oliveira e pelo engenheiro-agrônomo Felipe Augusto Dias, do Instituto SOS Pantanal.   

Conforme o SOS Pantanal, a escolha do Rio Santo António para o estudo levou em conta que o manancial em questão é responsável  pelo abastecimento hídrico do município de Guia Lopes da Laguna. Com o resultado os pesquisadores querem entender como isso pode refletir na saúde da população. 

Os dados foram apresentados durante o Seminário do Dia Mundial da Água, evento que ocorreu no Auditório Professor Inardi Adami, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, com o tema “Mato Grosso do Sul e Aquífero Guarani: Fonte de Água e Fonte de Vida”.

O estudo também sugeriu algumas recomendações para a preservação do rio que é um importante manalcial de Guia Lopes da Laguna como:

  • A criação de fóruns permanentes envolvendo entidades de classe ligadas à produção agropecuária para o debate sobre práticas conservacionistas de solo e água;
  • O uso adequado de produtos químicos;
  • Monitoramento continuado do uso de agrotóxicos na bacia do Rio Santo Antônio;
  • Ampliação do monitoramento de agrotóxicos que impactam indivíduos da fauna aquática do Pantanal, como peixes e ariranhas;

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