'Todo o planeta está atravessando uma temporada de incêndios e inundações, que prejudica, principalmente, populações frágeis e vulneráveis nos países ricos e pobres', relatou Mohammed em uma
11/09/2021 12h05 - Por ONU
"Todo o planeta está atravessando uma temporada de incêndios e inundações, que prejudica, principalmente, populações frágeis e vulneráveis nos países ricos e pobres", relatou a vice-chefe da ONU em uma reunião de alto nível sobre ação climática.
Amina Mohammed falou no Diálogo sobre Soluções de Aceleração de Adaptação para as Mudanças Climáticas.
Em seu discurso, ela ressaltou os efeitos já sentidos das mudanças climáticas e destacou a necessidade urgente de se investir em adaptação.
Segundo o secretário-geral da ONU, 50% do financiamento público total do clima deveria ser alocado para adaptação e resiliência. No entanto, atualmente apenas 21% dos recursos são destinados para essas áreas.
Amina Mohammed defendeu ainda a importância de restringir o aumento da temperatura a 1,5 graus
Celsius acima dos níveis pré-industriais para frear efeitos ainda mais devastadores do clima, conforme pactuado no Acordo de Paris.
Com eventos climáticos extremos se intensificando em todo o mundo, a vice-secretária-geral, Amina Mohammed usou seu discurso para o Diálogo sobre Soluções de Aceleração de Adaptação para as Mudanças Climáticas para ressaltar os efeitos já presentes das mudanças climáticas e destacar a necessidade de os países investirem agora em adaptação. Além disso, ela defendeu a importância de restringir o aumento da temperatura a 1,5 graus Celsius acima dos níveis pré-industriais, conforme pactuado no Acordo de Paris.
"Todo o planeta está atravessando uma temporada de incêndios e inundações, que prejudica, principalmente, populações frágeis e vulneráveis nos países ricos e pobres", relatou Mohammed em uma reunião de alto nível sobre ação climática.
O evento antecede a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP26), que ocorrerá em Glasgow, na Escócia, em novembro.
m sua fala, a vice-secretária-geral observou os impactos já visíveis com o aumento de 1,2 grau.
"Países e populações no mundo todo - particularmente aqueles mais vulneráveis e menos responsáveis pela crise climática - viverão consequências ainda mais devastadoras", destacou.
"Os efeitos irão se reverberar por entre as economias, comunidades e ecossistemas, apagando ganhos de desenvolvimento, agravando a pobreza, aumentando a migração e exacerbando as tensões", continuou.
Justiça climática - Mohammed acredita que o mundo pode ainda reduzir o aquecimento global para dentro da meta de 1,5 grau, desde que sejam dados "passos ousados e decisivos" rumo a uma economia global de emissão líquida zero de carbono até 2050.
"Atuar agora é uma questão de justiça climática. E temos as soluções", afirmou.
Embora um investimento em grande escala em adaptação e resiliência seja "essencial" para aqueles que estão na linha de frente da crise climática, até o momento, somente 21% do financiamento climático é transferido para esforços de adaptação.
"Dos 70 bilhões de dólares que os países em desenvolvimento necessitam, agora, para se adaptar, somente uma fração está sendo provida", afirmou a vice-chefe da ONU, acrescentando que os custos de adaptação para o mundo em desenvolvimento podem chegar a 300 bilhões de dólares por ano até 2030.
Fechando o portão - Além de ser um imperativo moral, há também uma questão econômica para investimentos iniciais em adaptação e construção de resiliência. "Vidas serão salvas e meios de subsistência protegidos", afirmou.
Pensando nisso, o secretário-geral da ONU solicitou aos doadores e bancos multilaterais de desenvolvimento para alocar 50% do financiamento público total do clima para adaptação e resiliência. Ainda assim, os países que necessitam deste auxílio continuam a enfrentar sérios desafios para acessar o financiamento climático.
Mohammad enfatizou a importância de simplificar as regras e facilitar o acesso para os países menos desenvolvidos, pequenos Estados insulares em desenvolvimento e outras nações vulneráveis, e para acelerar iniciativas, como o Programa de Aceleração da Adaptação Africano desenvolvido entre o Centro Global de Adaptação e o Banco Africano de Desenvolvimento.
O Programa tem o potencial de entregar resultados rápidos e transformadores que protegem vidas e meios de subsistência.
Além disso, irá engajar ações de resiliência climática para lidar com os impactos da COVID-19, as mudanças climáticas e a economia. "Acolho este auxílio tão necessário para o povo da África", disse.
A menos de 60 dias da COP26, a vice-chefe da ONU instou os participantes a "agirem agora com coragem pelas pessoas e pelo planeta, antes que seja tarde demais".
"Devemos responder à crise climática com solidariedade. A adaptação não pode mais ser a metade descuidada da equação climática", concluiu.