Uma grande operação de combate ao comércio clandestino de medicamentos teve seu desfecho nesta sexta-feira (19), em Dourados, com a destruição de aproximadamente uma tonelada de produtos irregulares apreendidos pela Vigilância Sanitária de Mato Grosso do Sul. O material, avaliado em mais de R$ 15 milhões, foi incinerado em uma empresa especializada, encerrando o ciclo de fiscalização que retirou milhares de itens ilegais de circulação.
A ação foi coordenada pela Secretaria de Estado de Saúde (SES), por meio da Coordenadoria de Vigilância Sanitária Estadual (CVISA), e reuniu produtos de origem estrangeira sem registro ou autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Entre os itens destruídos estavam medicamentos análogos ao GLP-1 utilizados para emagrecimento, canetas emagrecedoras, peptídeos voltados para procedimentos estéticos e esteroides anabolizantes.
Considerada uma das maiores operações de descarte desse tipo já realizadas no Brasil, a incineração ocorreu em Dourados após o transporte do material apreendido desde Campo Grande sob escolta da Polícia Rodoviária Federal (PRF), que garantiu a segurança da carga durante todo o percurso.
As apreensões são resultado de fiscalizações permanentes realizadas pela Vigilância Sanitária em centros de distribuição, unidades dos Correios e transportadoras instaladas em Mato Grosso do Sul. Somente em 2026, mais de 20 mil produtos considerados irregulares foram retirados do mercado.
Segundo a SES, os medicamentos e substâncias apreendidos eram comercializados de forma clandestina, sem qualquer controle sanitário ou garantia de procedência. Grande parte das vendas ocorria por meio de redes sociais, aplicativos de mensagens e plataformas digitais não autorizadas.
O gerente da Vigilância Sanitária Estadual, Matheus Pirolo, destacou que a destruição dos produtos representa uma etapa fundamental no combate ao mercado ilegal e impede que os itens retornem à circulação.
De acordo com ele, o volume apreendido nos últimos meses revela a dimensão do comércio clandestino de medicamentos no Estado e reforça a necessidade de fiscalização contínua para proteger a saúde da população.
O diretor-executivo da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), Serafim Branco Neto, alertou que a compra de medicamentos em canais não regulamentados expõe os consumidores a riscos elevados. Segundo ele, a ausência de rastreabilidade e de controle sobre armazenamento e transporte pode comprometer a eficácia dos produtos e causar sérios danos à saúde.
As autoridades sanitárias orientam que medicamentos sejam adquiridos exclusivamente em estabelecimentos autorizados e regularizados, evitando plataformas e vendedores sem credenciamento oficial.