A nação brasileira é destaque na liderança de missões deste tipo. No passado, o Brasil liderou missões de paz no Haiti, de 2004 a 2017, e, desde 2015, comanda a missão na República Democrátic
Representante do Brasil nas Nações Unidas, o embaixador Ronaldo Costa Filho, concedeu uma entrevista à ONU News e falou sobre paridade de gênero e a necessidade de recrutar mais mulheres para as Forças Armadas e Polícias. Também defendeu o envio de mais agentes femininas às missões de paz da ONU.
A nação brasileira é destaque na liderança de missões deste tipo. No passado, o Brasil liderou missões de paz no Haiti, de 2004 a 2017, e, desde 2015, comanda a missão na República Democrática do Congo.
Nosso país já conta com boinas-azuis, nome que se dá aos agentes da paz da ONU, em nove áreas distintas. No entanto, o país ainda enfrenta dificuldade de enviar agentes femininas para as missões devido a pouca aderência de mulheres no próprio exército brasileiro.
Em entrevista à ONU News, o embaixador do Brasil nas Nações Unidas, Ronaldo Costa Filho, falou sobre o desafio de recrutar mais militares mulheres para as Forças Armadas e Polícias no país. Além disso, ele afirmou que a nação brasileira entende que a participação feminina é fundamental não só nas operações de paz, mas também em todos os setores.
Costa Filho citou o prêmio que as boinas-azuis do Brasil receberam das Nações Unidas por dois anos seguidos, o Defensora Militar da Igualdade de Gênero, pelo trabalho feito por duas mulheres brasileiras na Missão da ONU na República Centro-Africana (MINUSCA), em proteger mulheres e crianças da violência.
Representatividade - Uma das boinas azuis laureadas pelo prêmio Defensora Militar da Igualdade de Gênero é a capitã da fragata da Marinha Brasileira, Márcia Braga. Ao relembrar a distinção, o embaixador reiterou que as mulheres fazem a diferença nas missões de paz.
“O que demonstra que elas têm um papel importante a prestar. Eu cito a facilidade que as mulheres têm para se aproximar e estabelecer um diálogo mais aberto e transparente com as comunidades locais afetadas. Então, as mulheres sim têm um papel muito importante a prestar neste lado”, comentou o embaixador.
Além da questão militar, as mulheres ainda se destacam, de forma estratégica, na intermediação de conflitos. Segundo o embaixador, o Brasil está comprometido em alcançar o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável número 5, que busca a igualdade de gênero.
Legenda: O Brasil atualmente possui boinas-azuis em nove áreasFoto: © UNMISS
Poucas mulheres no exército - Ainda assim, Costa Filho afirma que existem desafios para aumentar a representatividade feminina na área, já que a quantidade de mulheres trabalhando no Exército ainda é pequena.
“O Brasil tem um programa nacional de mulheres paz e segurança que foi renovado em 2019 que visa aumentar a participação [feminina]. Não é fácil, porque a participação de mulheres, no caso do Brasil, nas Forças Armadas e nas forças policiais ainda é minoritária. Então, não temos ainda um contingente com o qual colaborar plenamente. Mas o esforço nacional é de aumentar essa participação, tanto militares, quanto policiais, quanto na área civil.”
Brasil na liderança de missões - O Brasil liderou missões de paz da ONU incluindo no Haiti, de 2004 a 2017, e atualmente possui boinas-azuis em nove áreas. De acordo com o Ministério da Defesa, mais de 30 mil homens e mulheres já participaram das operações de paz.
Desde 2015, o Brasil comanda a Missão de Estabilização da Organização das Nações Unidas na República Democrática do Congo (MONUSCO), com um general brasileiro.
Fonte ONU