Após negativa da Polícia Federal, Procuradoria conclui que informações apresentadas por Daniel Vorcaro não trazem elementos inéditos e fecha espaço para negociação neste momento
O banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, sofreu um novo revés nas tentativas de firmar um acordo de colaboração premiada. A Procuradoria-Geral da República (PGR) recusou a segunda proposta de delação apresentada pela defesa do empresário, acompanhando o entendimento já manifestado pela Polícia Federal.
A decisão foi formalizada nesta segunda-feira (15). Segundo a avaliação da PGR, os relatos e documentos entregues por Vorcaro não apresentaram provas inéditas nem informações consideradas relevantes para o avanço das investigações em andamento.
A rejeição reforça o posicionamento dos órgãos responsáveis pelas apurações, que já vinham demonstrando resistência ao acordo. Na semana passada, a Polícia Federal comunicou à defesa do banqueiro que não tinha interesse em prosseguir com as negociações, alegando insuficiência dos elementos apresentados.
Desde o início das tratativas, investigadores apontavam que a proposta continha lacunas e deixava de abordar fatos que já haviam sido identificados durante as apurações. A avaliação era de que a colaboração não atendia aos requisitos esperados para a celebração de um acordo de delação premiada.
Na tentativa de reverter o cenário, Vorcaro ampliou o conteúdo de sua proposta e alterou parte das informações inicialmente prestadas. Entre as mudanças, admitiu ter realizado pagamentos ao senador Ciro Nogueira, que passaram a ser descritos como propina. Em versão anterior, o banqueiro sustentava que os repasses, incluindo viagens, eventos e uma mesada, estavam ligados apenas a uma relação de amizade. O parlamentar ainda não havia se manifestado sobre o caso.
Com a nova negativa, cresce a possibilidade de que o ministro André Mendonça determine a transferência de Vorcaro para uma unidade prisional comum. O banqueiro está há cerca de três meses custodiado em uma cela especial na sede da Polícia Federal, em Brasília.
Embora a legislação permita a apresentação de futuras propostas de colaboração, a posição conjunta da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República indica que, neste momento, não há perspectiva de retomada das negociações.