Quatro policiais civis de Santo André, na Grande São Paulo, foram presos em flagrante nesta sexta-feira (25) durante a terceira fase da Operação Latus Actio, ação conjunta da Polícia Federal e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de São Paulo. Eles são acusados de cobrar propinas de influenciadores digitais suspeitos de promover rifas ilegais nas redes sociais.
As prisões ocorreram após a análise de mensagens extraídas dos celulares dos policiais, apreendidos em fases anteriores da investigação. Segundo o Gaeco, os agentes lotados no 6.º Distrito Policial de Santo André teriam formado uma organização criminosa hierarquizada para a prática reiterada de corrupção passiva.
"Em resumo, a possível organização criminosa, formada por policiais civis, teria constituído um verdadeiro ‘centro de arrecadação de propinas’ no 6º Distrito Policial de Santo André", afirmam seis promotores em manifestação obtida pelo Estadão.
O esquema consistia na abertura de procedimentos de Verificação de Procedência de Informações (VPI) para apurar a prática de sorteios ilegais. No entanto, segundo as investigações, o real objetivo era solicitar vantagens financeiras indevidas aos influenciadores e seus advogados. As VPIs raramente resultavam na abertura formal de inquéritos policiais.
Os promotores apontam como líder do esquema o chefe dos investigadores do 6.º DP, Fábio Marcelo Fava, responsável por autorizar as VPIs e proteger os policiais envolvidos. Além de Fava, são investigados os agentes Adriano Fernandes Bezerra, Magally Ivone Rodrigues, Múcio de Assis Ladeira e Wilson Roberto Ribeiro.
As mensagens recuperadas revelam conversas entre os policiais e advogados dos influenciadores, inclusive sobre a entrega de documentos sigilosos e menções veladas a pagamentos de propina em dinheiro vivo e via PIX. Em um dos diálogos, Magally comenta que faria um "teatrinho" para superiores. Em outro, investigadores sugerem o uso de intimações para pressionar influenciadores que resistissem a negociar.
A 1ª Vara Criminal de Santo André também autorizou mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos policiais e determinou a quebra dos seus sigilos bancários.
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que a Corregedoria da Polícia Civil acompanha as investigações e presta apoio à Polícia Federal e ao Ministério Público.