O encontro virtual de embaixadores foi promovido com o propósito de discutir maneiras de endereçar as raízes das causas do conflito e promover a recuperação pós-pandêmica
24/05/2021 07h30 - Por ONU
Em uma reunião com o Conselho de Segurança na quarta-feira (19), o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, falou sobre a violência em Cabo Delgado, Moçambique, e apontou a pandemia de COVID-19 como um fator decisivo de acirramento de conflitos no continente africano.
O encontro virtual de embaixadores foi promovido com o propósito de discutir maneiras de endereçar as raízes das causas do conflito e promover a recuperação pós-pandêmica.
Até o momento, o continente africano teve cerca de 1,7% de vacinados contra a COVID-19 em relação ao total do mundo.
Isso equivale a dizer que, de um total de 1,4 bilhão de doses administradas em todo o mundo, apenas 24 milhões chegaram à região.
Em seu discurso, o secretário-geral das Nações Unidas defendeu a partilha de doses, a remoção de restrições de exportação, o aumento da produção local e o financiamento total do Acelerador ACT, como parte da iniciativa COVAX.
"Após um ano de pandemia, enquanto encaramos a possibilidade de uma recuperação desigual, mostra-se claro que a crise está alimentando muitos desses motores de conflito e instabilidade", disse Guterres, referindo-se à insegurança causada pelas Forças Democráticas Aliadas (ADF) no leste da República Democrática do Congo.
Agravamento da violência - No continente africano, o crescimento econômico desacelerou. As previsões apontam 3,4% em 2021, em comparação com 6% em nível global.
A região enfrenta, ainda, uma baixa de remessas e o aumento de dívidas.
Esse cenário constitui o plano de fundo para a escalada de novos conflitos.
Na última segunda-feira, por exemplo, um integrante da tropa de paz de nacionalidade malauiana perdeu a vida após um ataque à Missão de Estabilização das Nações Unidas na República Democrática do Congo.
"Esse é o meu apelo por um cessar-fogo global que nos permita focar em nosso inimigo comum: o vírus", declarou o chefe das Nações Unidas, sobre a situação em Moçambique.
Entre os fatores de risco para a estabilidade em África estão a pobreza, insegurança alimentar, degradação ambiental, urbanização e pressões demográficas, além da crise climática que é mais um multiplicador da crise.
Desde o início da pandemia, Guterres frisou que a recuperação desigual de países ameaça pessoas e sociedades ao redor do mundo, especialmente aquelas já afetadas por conflitos.
Até então, a crise empurrou cerca de 114 milhões de pessoas para a pobreza extrema ao redor do mundo.
O secretário-geral também alertou que, sob pretexto de combate à crise, alguns governos restringem os processos democráticos e os direitos cívicos e políticos.
À medida que o crescimento econômico é ameaçado, aumenta a retórica divisionista, o discurso de ódio, a incitação à violência e a desinformação.