Alvos da operação do Gaeco incluem empresários, servidores públicos, ex-prefeito, médicos e advogados; Governo de MS anuncia afastamentos e auditoria
Os investigados presos durante a Operação Gutenberg, deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), passam por audiência de custódia na manhã desta quarta-feira (8). A etapa faz parte do procedimento legal após o cumprimento dos mandados de prisão preventiva expedidos pela Justiça.
Como as prisões ocorreram por decisão judicial preventiva, a audiência de custódia não tem como objetivo decidir pela soltura dos investigados. O procedimento serve para verificar se a prisão foi executada dentro da legalidade e se houve preservação da integridade física dos detidos. A reavaliação da necessidade de manutenção das prisões será feita posteriormente pelo magistrado responsável pelo caso.
Segundo o Ministério Público, a investigação identificou um esquema que utilizaria a Central de Regulação da Saúde de Mato Grosso do Sul para condicionar a liberação de exames, consultas e internações à compra de livros comercializados pelo grupo investigado. O suposto esquema teria desviado cerca de R$ 27 milhões em recursos públicos.
Até o momento, o Gaeco confirmou as prisões da empresária Rossana Paroschi Jafar; da médica Olívia Jafar; de Felipe Paroschi Jafar, servidor comissionado da Agesul; do ex-prefeito de Fátima do Sul e assessor parlamentar Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior; do coordenador estadual de regulação Ed Carlo Britto Burgatt; da empresária Jéssyca Burgatt; de Francisco Anizio dos Santos; Matheus Oliveira Peixoto; Joatan Gomes Peixoto; dos empresários Paulo Rogério de Melo e Douglas Henrique de Melo; e do advogado Gabriel Taquino de Paula.
Ao todo, a Operação Gutenberg cumpriu 16 mandados de prisão preventiva e 43 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul, São Paulo e Goiás. As diligências ocorreram em Campo Grande, Dourados, São Gabriel do Oeste, Caarapó, Corguinho, Porto Murtinho, Abadiânia (GO) e na capital paulista.
As investigações apontam a atuação de diferentes núcleos familiares e empresariais. Entre eles estão a família da empresária Rossana Paroschi Jafar, proprietária de clínica médica, e a do coordenador estadual Ed Carlo Burgatt, preso ao lado da filha. Também figuram entre os investigados os empresários Paulo Rogério de Melo e Douglas Henrique de Melo, pai e filho ligados ao setor de veículos e entretenimento em Campo Grande.
O Governo de Mato Grosso do Sul informou, por meio de nota, que os servidores efetivos envolvidos serão afastados de suas funções e os ocupantes de cargos comissionados serão exonerados. A administração estadual também determinou a abertura de auditoria para apurar os procedimentos da Central de Regulação que teriam sido fraudados.