A Azul Linhas Aéreas anunciou, nesta segunda-feira (11), o encerramento das operações em 14 cidades brasileiras, incluindo Três Lagoas, na região leste de Mato Grosso do Sul. A medida amplia o impacto dos cortes iniciados em julho, quando a empresa já havia confirmado a suspensão dos voos para Corumbá, no oeste do estado.
Em nota à Folha de S. Paulo, a Azul explicou que o fim das rotas ocorreu entre janeiro e março deste ano, pouco antes do pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos, aberto em maio. A companhia alegou que os ajustes fazem parte de um processo contínuo de revisão da malha aérea, priorizando rotas estratégicas com maior retorno financeiro.
O aumento dos custos operacionais, especialmente com o dólar alto, foi determinante para a decisão. No caso de Corumbá, o aeroporto que recebeu quase 18 mil passageiros no primeiro semestre de 2025 e está em ampliação ficou fora dos planos da empresa por apresentar margens abaixo da média.
Em Três Lagoas, a situação é semelhante. A cidade deixa de receber voos da Azul enquanto a companhia ajusta mais de 50 rotas cujo desempenho financeiro está 17 pontos percentuais abaixo da média, medida que inclui a redução de frequências e até o cancelamento de ligações aéreas.
Procurada, a Azul informou que todos os clientes afetados foram atendidos conforme determina a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). A empresa foi a última entre as principais companhias aéreas brasileiras a aderir ao “Chapter 11” nos EUA, após Latam e Gol, e já reestruturava dívidas no Brasil desde 2023.
Segundo especialistas do setor, se não houver entraves jurídicos, o processo de recuperação judicial pode ser concluído até o fim de 2025.