Celso Éder foi absolvido em processo por estelionato no estado; agora é suspeito de lavar dinheiro de esquema bilionário em SP
O empresário Celso Éder Gonzaga, preso em flagrante na última terça-feira (12) com esmeraldas, dólares e euros, durante a Operação Ícaro do Ministério Público de São Paulo (MPSP), já havia sido alvo de outra importante ação policial em Mato Grosso do Sul: a Operação Ouro de Oufir.
Em MS, Celso foi investigado por estelionato, mas acabou absolvido recentemente, após a Justiça considerar que as provas eram “frágeis” para embasar uma condenação.
Na operação paulista, conduzida pelo Gedec (Grupo de Atuação Especial de Repressão aos Delitos Econômicos), Celso foi alvo de mandado de busca e apreensão e preso em casa, em Alphaville. No imóvel, foram encontrados dois pacotes com esmeraldas, cerca de R$ 1 milhão em espécie, US$ 10 mil (aproximadamente R$ 54,2 mil) e 600 euros, guardados em um cofre.
Segundo o MPSP, ele seria parceiro do auditor fiscal Arthur Gomes, apontado como chefe de um esquema de fraudes em créditos tributários que teria movimentado R$ 1 bilhão em propina em três anos. Celso teria a função de lavar o dinheiro do grupo.
A esposa do empresário, Tatiane, também foi presa. Entre os outros detidos estão o empresário Sidney Oliveira, dono da Ultrafarma; o auditor fiscal Marcelo de Almeida Gouveia; e Mário Otávio Gomes, diretor estatutário da Fast Shop.
A reportagem tentou contato com a defesa de Celso, mas não obteve retorno. O espaço segue aberto para manifestação.
As investigações apontam que o auditor fiscal manipulava processos administrativos para facilitar a quitação de créditos tributários de empresas do varejo. Em troca, recebia propina mensal por meio de uma empresa registrada em nome de sua mãe.
De acordo com o MPSP, até o momento já foram identificados pagamentos superiores a R$ 1 bilhão ao fiscal. Os investigados poderão responder por corrupção ativa e passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
A Operação Ícaro é resultado de meses de apuração, com análise de documentos, quebras de sigilo e interceptações autorizadas pela Justiça. As diligências continuam.
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