Conflito na Fazenda Ipuitã reacende tensões fundiárias entre produtores e comunidade indígena Guyraroká no sul do Estado
As principais entidades do agronegócio de Mato Grosso do Sul divulgaram uma nota conjunta de repúdio ao ataque ocorrido na Fazenda Ipuitã, em Caarapó, neste sábado (25). A Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul), acompanhada de outras dez instituições, classificou o episódio como um ato criminoso e afirmou que o produtor rural teve seu direito de propriedade violado de forma grave.
De acordo com o documento, um grupo de indígenas teria incendiado máquinas, insumos, a sede e outras estruturas da fazenda, interrompendo as atividades e gerando grandes prejuízos. As entidades criticaram a falta de ação do poder público e pediram providências urgentes para responsabilizar os envolvidos, apontando que a insegurança jurídica no campo é agravada pela omissão das autoridades.
A nota também destacou que as ações violentas não refletem o comportamento da maioria das comunidades indígenas do Estado, citando experiências de cooperação entre o Sistema Famasul e aldeias em projetos de produção sustentável. O texto foi assinado por Famasul, ABPO, Aprosoja/MS, Acrissul, Asumas, Apai, Novilho Precoce/MS, OCB/MS, Reflore/MS, Sulcanas e Sodepan.
A propriedade rural, localizada em Caarapó, voltou a ser palco de confrontos neste fim de semana. Mesmo após o incêndio que destruiu parte da estrutura no sábado (25), um grupo de indígenas Guarani-Kaiowá manteve-se na área no domingo (26).
A Polícia Militar informou que cerca de 30 pessoas teriam participado da ação inicial, retirando o caseiro da fazenda e ateando fogo em máquinas e plantações. O Corpo de Bombeiros atuou no local para controlar as chamas e evitar que o incêndio se espalhasse para outras áreas.
Durante todo o fim de semana, equipes da PM mantiveram o patrulhamento na região, e a movimentação começou a diminuir no decorrer do domingo, quando parte dos manifestantes deixou o local. O policiamento permanece reforçado nas estradas de acesso e no entorno da propriedade.
A comunidade indígena Guyraroká afirmou que o protesto foi motivado pelo sequestro de uma adolescente de 17 anos, que teria sido mantida na sede da fazenda, e pela reivindicação de que o uso de agrotóxicos na área seja interrompido. O Cimi (Conselho Indigenista Missionário) confirmou o resgate da jovem e negou a existência de indígenas armados durante o ato.
O episódio reacende o histórico de conflitos fundiários em Caarapó, região marcada por disputas de terra e reivindicações indígenas em torno da demarcação da Terra Indígena Guyraroká. Parte do território já foi reconhecida oficialmente, enquanto outra fração — onde está a Fazenda Ipuitã — segue em processo de análise.
As autoridades estaduais e federais acompanham o caso, e uma perícia deve avaliar os danos provocados pelo incêndio. O governo do Estado reforçou o policiamento na região, enquanto órgãos de mediação fundiária estudam medidas para evitar novos confrontos.