Animal tentou caçar cães no quintal de uma residência; vítima sofreu ferimentos na cabeça e no olho. Órgão estuda relocação do felino para área do Pantanal.
A medida é considerada diante do risco de novos incidentes no conflito crescente entre ribeirinhos - Foto: ICMBio
O Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) pode autorizar a captura da onça que feriu o morador Valdinei da Silva Pereira, de 57 anos, na noite de quarta-feira (6), no Bairro Dom Bosco, em Corumbá. A medida é considerada diante do risco de novos incidentes no conflito crescente entre ribeirinhos urbanos e felinos que rondam a região em busca de alimento.
Segundo o órgão, o ataque ocorreu quando a onça tentou caçar cães soltos no quintal da casa de Valdinei. Ao reagir para salvar os animais, ele sofreu ferimentos na região frontal da cabeça, um corte superficial no nariz e lesão no olho direito.
A analista ambiental do Ibama em Mato Grosso do Sul, Fabiane Gonçalves de Souza, informou que a captura e relocação do felino para outra área do Pantanal é uma das alternativas estudadas. “Ao que tudo indica, não foi um ataque direto ao ser humano. O objetivo da onça era alcançar os cães, apesar das orientações para que os animais domésticos fossem mantidos em segurança à noite”, explicou ao Campo Grande News.
Equipes de órgãos ambientais articulam estratégias para reduzir o risco de novos encontros entre moradores e onças na região.
Ataque
“Valdinei da Silva Pereira, de 57 anos, sobreviveu ao ataque de onça-pintada na noite de quarta-feira (6), em Corumbá, na região de mata próxima ao Rio Paraguai. O ataque ocorreu por volta das 21h30, nas imediações do Mirante da Capivara, quando Valdinei saía de casa para trabalhar. Surpreendido pelo felino, ele reagiu instintivamente. “Eu desci para tomar banho, estava com a lanterna do celular. Só sei que levei um baque e dei um ‘safanão’ nela”, lembra.
Mesmo ferido e em choque, conseguiu escapar com vida, mas viu um de seus cães ser levado pela onça diante dos próprios olhos. O morador conta que já havia avistado o animal rondando a casa em outras ocasiões. “Ela está pela região desde maio. Já levou e comeu dois cachorros meus. Uma vez eu vi ela pegando o cachorro e fui para cima com um pedaço de pau, e ela correu. Mas dessa vez, não vi nada, estava escuro”, relata.
O caso reacende a preocupação com os conflitos entre moradores ribeirinhos e felinos na região, que têm se aproximado cada vez mais das áreas urbanas em busca de alimento.