Os indígenas Guarani Kaiowá vão permanecer na fazenda onde teve confronto com morte no último dia 24 na cidade de Amambai, sul do Estado. A decisão é do juiz Thales Braghini Leão, da 2ª Vara Federal de Ponta Porã.
Ele negou o pedido de antecipação de tutela da empresa que arrenda a Fazenda Borda da Mata, para reintegrar a posse da propriedade e retirar os indígenas que dizem que a terra pertencia aos seus antepassados.
Na justificativa, a empresa argumentou que, "a invasão e os conflitos que tem enfrentado não tem relação com a demarcação de terras tradicionalmente ocupadas por indígenas, mas por questões internas da aldeia e por protestos contra fatos, como a morte do indígena Alex Lopes, 17 anos, em Coronel Sapucaia. A urgência do caso estaria amparada na iminente colheita da produção de milho no local, que se não realizada poderá causar imenso prejuízo material".
O magistrado considerou as informações do antropólogo do Ministério Público Federal (MPF), que esteve no local dos conflitos, e do coordenador da Funai de Ponta Porã. De acordo com o antropólogo, os indígenas ocuparam a área de modo ordeiro e respeitando a propriedade, não danificando bens no interior da sede.
O caso
O indígena Vito Fernandes, de 42 anos, morreu e outros seis ficaram feridos durante um confronto com a polícia militar. Três policiais também receberam atendimento hospitalar.
A Secretaria de Segurança Pública de Mato Grosso do Sul afirmou que o batalhão de choque foi chamado para conter a invasão, numa ação que envolveu pelo menos 100 agentes. Segundo o estado, um helicóptero usado na operação chegou a ser alvejado por tiros.
Em nota, a Assembleia Geral do Povo Guarani Kaiowá pediu que medidas sejam tomadas para garantir o direito à vida e que a demarcação das terras seja feita no local.