O Manual de Orientações Técnicas criado pelo Governo do Estado, com apoio de instituições e ONGs (Organização Não Governamentais), vai ajudar a reduzir os atropelamentos de animais silvestres nas rodovias estaduais, assim como colisões com a fauna que provocam acidentes e mortes de seres humanos. Esta é a avaliação de especialistas no setor.
Conhecido pela biodiversidade de fauna abundante, Mato Grosso do Sul resolveu se preparar e criar mecanismos para reduzir estes acidentes nas estradas estaduais, que em muitos casos envolvem animais de médio e grande porte, como capivaras, antas e tamanduás. A nova estratégia lançada em dezembro do ano passado e oficializada no último dia 17.
“Recebemos muitos animais silvestres feridos aqui no CRAS (Centro de Reabilitação de Animais Silvestres), em função de atropelamentos. Este manual é muito importante porque se trata de um estudo, que prevê ações que serão implantadas na prática, para alterar e reduzir estes acidentes”, descreveu Daniel Cazati, veterinário responsável técnico do CRAS.
Cazati revelou que já atendeu casos de diferentes animais feridos, como quatis, antas e macaco-prego, tendo inclusive realizado cirurgias como reconstrução fácil e até implante de bico em uma arara-canindé. “Esta iniciativa é um bom começo e agora vamos esperar os resultados na prática, para melhorar esta situação”.
Arnaud Desbiez, presidente do ICAS (Instituto de Conservação de Animais Silvestres), destacou que o manual vai ajudar também a reduzir as colisões com a fauna, que provocam acidentes graves, inclusive com mortes de pessoas. “Muita gente já perdeu a vida nas rodovias após colisão com animais de médio e grande porte. Este documento tem uma série de medidas específicas para tornar as estradas mais seguras, protegendo a fauna e a população”.
O engenheiro florestal e pesquisador do ICAS, Yuri Geraldo Gomes Ribeiro, também declarou que houve aumento destas colisões nos últimos anos. “A decisão sobre o tipo de medida mitigadora e onde implantar tais estruturas, deve ser tomada com base na disponibilidade de dados existentes e é por isso que quanto mais alto for o investimento em estudos especializados, maior o nível de certeza da eficácia e do sucesso na execução”.