Enquanto instituto de Angélica afirma ter resgatado recursos antes da crise, falta de transparência em Fátima do Sul amplia dúvidas sobre destino de R$ 7 milhões
A operação da Polícia Federal que investiga aplicações milionárias de institutos previdenciários municipais no Banco Master revelou não apenas suspeitas sobre investimentos de alto risco, mas também diferenças no nível de transparência entre os órgãos investigados. Em Angélica e Fátima do Sul, autarquias responsáveis pela previdência de servidores municipais se tornaram alvo das operações Zehirut e Charitzut, deflagradas nesta quarta-feira (27).
Ao todo, a investigação apura a aplicação de R$ 9 milhões em letras financeiras do Banco Master — sendo R$ 2 milhões investidos pelo Instituto de Previdência dos Servidores Públicos Municipais de Angélica (IPA) e R$ 7 milhões pelo Instituto de Previdência dos Servidores Municipais de Fátima do Sul (IPREFSUL). Durante a operação, a PF apreendeu 13 celulares, seis computadores, quatro HDs, quatro pendrives e documentos relacionados às aplicações financeiras.
Em Angélica, a prefeitura e o instituto reagiram rapidamente. Em nota oficial, o município informou que o investimento foi integralmente resgatado em novembro de 2025, antes do agravamento da situação envolvendo o Banco Master. Segundo o Executivo, o resgate ocorreu sem prejuízos financeiros aos cofres previdenciários ou aos segurados.
Relatórios públicos do IPA também mostram maior transparência sobre a carteira de investimentos. Em novembro de 2024, o instituto informava possuir R$ 2,08 milhões aplicados no banco, valor que chegou a R$ 2,27 milhões em agosto de 2025, equivalente a 4,8% dos ativos financeiros administrados.
O prefeito de Angélica, Edinho Cassuci (PSDB), reforçou que o instituto possui autonomia administrativa e financeira e afirmou que o saque ocorreu após alertas emitidos pela consultoria financeira responsável. “Quando o Banco Master começou a dar sinais de não honrar compromissos, eles retiraram os recursos”, afirmou.
Já em Fátima do Sul, o cenário é diferente. O portal de transparência do IPREFSUL apresenta dificuldade de acesso às informações e os dados públicos localizados permanecem desatualizados, com registros mais recentes encontrados ainda referentes a 2023 — antes da aplicação dos R$ 7 milhões agora investigados.
O prefeito Wagner Roberto Ponsiano (PSDB) afirmou não ter recebido informações oficiais detalhadas sobre a operação e declarou aguardar manifestação formal do instituto. Segundo ele, a prefeitura não foi alvo da investigação e nenhum servidor municipal está entre os investigados.
Apesar disso, o prefeito admitiu preocupação com o futuro dos recursos aplicados. Servidor público e contribuinte do regime previdenciário municipal, Wagner reconheceu que recuperar os valores pode ser difícil. “O instituto está vendo as formas de tentar reaver. A gente acha que é difícil”, declarou.
A investigação continua para apurar como ocorreram as aplicações, quais critérios foram utilizados e se houve irregularidades na gestão dos recursos previdenciários destinados aos servidores municipais.
*Com informações do Campo Grande News