Conflito na Terra Indígena Iguatemipeguá I deixou duas mortes e segue sob investigação da Polícia Federal
A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) esclareceu que a morte de Vicente Fernandes Vilhalva, liderança Guarani Kaiowá de 36 anos, foi causada por outro indígena durante o confronto registrado na aldeia Pyelito Kue, na Terra Indígena Iguatemipeguá I, em Iguatemi. Vicente foi atingido na cabeça por um disparo de arma de fogo e não resistiu ao ferimento.
O suspeito identificado pela Polícia Militar como autor do tiro é Valdecir Alonso Brites, também indígena. Ele foi detido no local e entregue imediatamente à Polícia Federal, responsável por conduzir toda a investigação do caso.
O confronto resultou ainda na morte de Lucas Fernando da Silva, 23 anos, funcionário de uma fazenda da região. Ele sofreu ruptura hepática e choque hemorrágico. Outras duas pessoas ficaram feridas: Eliéber Riquelme Ramires, transferido para Dourados em estado grave, e um adolescente indígena de 14 anos, baleado no braço, que fugiu do hospital antes de concluir o atendimento.
A Sejusp ressaltou que não havia forças estaduais atuando na região no momento do confronto. Somente após o registro da ocorrência, equipes estaduais foram acionadas para dar apoio à Polícia Federal na Fazenda Cachoeira, onde o conflito ocorreu na madrugada de domingo (16).
O Ministério dos Povos Indígenas (MPI) voltou a denunciar a escalada de violência contra povos originários e lembrou que, no início de novembro, foi criado um Grupo de Trabalho Técnico (GTT) para estudar e mediar disputas fundiárias no sul do Estado. O colegiado, formado por MPI, MDA e MGI, realiza reuniões semanais para buscar alternativas concretas e evitar novas tragédias.
Para o MPI, as retomadas realizadas pelos Guarani Kaiowá têm se intensificado como forma de reação à pulverização de agrotóxicos, que ameaça a saúde das comunidades e compromete o acesso à água e ao alimento. Em nota, o ministério lamentou mais uma morte indígena e afirmou que “é inaceitável que defensores de seus territórios continuem perdendo a vida”, especialmente em um momento em que o mundo discute a proteção dos povos originários na COP30.