Caciques e representantes das aldeias de Dourados cobram mais policiamento, combate ao tráfico, melhorias no trânsito e ampliação do acesso a serviços essenciais
Lideranças indígenas das aldeias Bororó e Jaguapiru levaram ao Governo do Estado uma série de reivindicações voltadas ao fortalecimento da segurança pública e à ampliação dos serviços oferecidos às comunidades de Dourados. As demandas foram apresentadas durante reunião realizada nesta segunda-feira (8), em Campo Grande, com representantes da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp).
O encontro aconteceu no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) e reuniu autoridades estaduais da área de segurança, além de caciques e representantes das comunidades indígenas, que destacaram a necessidade de ações mais efetivas para enfrentar problemas que afetam o dia a dia dos moradores.
Entre as prioridades apontadas pelas lideranças estão o aumento do policiamento nas aldeias, medidas mais rigorosas de combate ao tráfico de drogas, ações de proteção às mulheres vítimas de violência e melhorias na fiscalização e sinalização da rodovia MS-156, uma das principais vias de acesso às comunidades. Juntas, as aldeias Jaguapiru e Bororó tem cerca de 20 mil moradores, quantidade superior a 43 municípios do Estado, mas pouco recebem assistência dos governos federal e estadual.
Os representantes indígenas também defenderam a instalação de um posto de identificação civil dentro da reserva, a criação de uma unidade de atendimento do Detran-MS, a ampliação dos Conselhos Comunitários de Segurança e a realização de palestras educativas sobre cidadania, direitos e prevenção à violência doméstica.
Durante a reunião, o secretário estadual de Justiça e Segurança Pública, Antonio Carlos Videira, afirmou que parte das reivindicações já faz parte do planejamento da pasta e que as ações deverão ser implantadas gradativamente. Segundo ele, a integração entre os órgãos públicos e a participação da comunidade são fundamentais para fortalecer a segurança e garantir mais qualidade de vida à população.
Como encaminhamento inicial, o Estado anunciou estudos para implantar um posto de identificação civil e uma unidade de atendimento do Detran-MS nas aldeias, facilitando o acesso dos moradores a serviços que atualmente exigem deslocamento até a área urbana.
Outro tema debatido foi o fortalecimento da Polícia Comunitária e a ampliação da participação das comunidades indígenas nos Conselhos Comunitários de Segurança, aproximando moradores e forças policiais na construção de soluções para os problemas locais.
Para as lideranças presentes, a reunião representou um importante passo na aproximação entre o poder público e as comunidades indígenas, abrindo espaço para que demandas históricas sejam discutidas e transformadas em ações concretas.