Por: Rosembergue Marques
Dourados completa 87 anos com desafios em todas as áreas, que serão abordados na série de reportagens elaborada pelo jornal. Um desses desafios, de responsabilidade da Prefeitura, é fazer com que as estruturas públicas de esporte e lazer existentes, como praças, parques ambientais e outros, sejam mantidas com condições de uso e também dotar a cidade de mais espaços para essa finalidade, de forma que acompanhe o crescimento populacional e geográfico, este último resultado da ampliação do perímetro urbano e que deixou órfãos de estruturas públicas não só de lazer como de Saúde e Educação as antigas “sitiocas”, por exemplo, que adquiriram com a mudança status de bairros.
A reportagem fez um “giro” pelas praças e parques ambientais da cidade e observou que a decadência ou semiabandono das áreas de lazer e esporte se tomado como regra o sentido centro/bairro. Quase que no coração da cidade, o Parque dos Ipês é um primor. Bem cuidado, com servidores fazendo a limpeza dos banheiros (adaptados às normas de acessibilidade) e outras dependências internas e externas várias vezes por dia, pista de caminhada de 380m de extensão bem demarcada, Academia ao Ar Livre, uma quadra poliesportiva, uma quadra para jogos de peteca, uma pista de caminhada de 380m de extensão e áreas para vôlei de areia, basquete e futsal.
Não muito longe dali, no BNH 2º Plano, o “mundo” é outro: um abandono geral, que afugenta os frequentadores. Banheiros imundos, sem portas, sem vasos sanitários e com os existentes entupidos, o que obriga mães e crianças são obrigadas a urinar no chão. Não há água para beber e as crianças passam sede quando as mães não lembram de trazer água. Quase 50 idosos fazem exercícios físicos no espaço e são obrigados a conviver com os perigos de uma estrutura comprometida. Espalhados pelo chão dos banheiros e do vestiário desativado, restos de preservativos e de materiais para uso de drogas. Neste mesmo local, um vazamento desperdiça água dia e noite. A falta de iluminação à noite é fator facilitador para atos criminosos. O parquinho infantil não tem iluminação adequada e alguns aparelhos da academia ao ar livre estão danificados. As arquibancadas não têm o mínimo de segurança. Além disso, os portões ficam abertos dia e noite. A quadra externa de basquete praticamente já não existe mais, vez que não possui tabelas e cestos. As paredes todas pichadas completam o cenário deplorável de uma área que poderia ser espaço de lazer e espaço para famílias de vários bairros.
Seguindo o “giro” rumo à Cabeceira Alegre, chega-se à Praça do Cinquentenário, que possui algumas peculiaridades. Uma ampla área verde, com a grama aparada periodicamente e uma concha acústica com palco e arquibancadas em bom estado, precisando apenas de pinturas. Na lógica do ditado popular “por fora bela viola....” atrás do palco da concha, no espaço fechado que normalmente é usado para os artistas se prepararem, se encontra o caos: restos fecais, sujeira de toda ordem, banheiros entupidos...um local para se entrar de nariz tapado. Como o local (a concha acústica) estava há muito tempo sem uso, anos atrás a gestão da época teve uma ideia engenhosa: soldou as portas de entrada, deixando apenas uma entrada lateral. É por ali que desocupados, sem teto e etc. entram e “fazem a festa”. Ainda assim, na extensa área grama da Praça é comum, nos finais de semana, famílias inteiras estarem tomando tereré enquanto crianças correm de um lado para outro. A Praça é frequentada por moradores da Vila Industrial, da Cabeceira Alegre e do Jardim Ouro Verde, dentre outros bairros da região, que certamente apreciariam espetáculos e outros eventos que acontecessem na Concha acústica, hoje apenas um espaço arquitetônico decorativo.
Estação da Juventude, no Parque das Nações I
Mais longe um pouco, sempre no sentido centro/bairro, no Parque das Nações I está a antiga Praça da Juventude, que na gestão atual retomou sua nomenclatura oficial, que é Estação da Juventude. Com pistas de skate, brinquedos infantis, teatro de bolso, quadra poliesportiva coberta e espaços administrativos, é a única referência de esporte, lazer e cultura para a populosa região conhecida como “Grande Parque das Nações”. Como nem tudo são flores, há mais de cinco anos os esportistas e sobretudo os pais de crianças que frequentam o local aguardam a troca das telas de arame que circundam a quadra de esporte. Os buracos existentes nessas telas colocam todos em risco, já que deixam expostas pontas que podem causar arranhões, cortes e até acidentes piores. A falta de tabelas e cestos impede a prática do basquete. Durante a visita da reportagem a quadra estava sendo pinta e demarcada....com tintas doadas por um vereador.
No outro extremo da cidade há o Parque Antenor Martins, que ganhou nova “cara” na gestão do então prefeito Laerte Tetila. Sua área é de 7.700 m2, possuindo um grande lago que pé aberto à pesca em épocas especificas. Dispõe de dois campos de futebol, um anfiteatro com capacidade para 400 pessoas e sem cobertura, quatro quadras poliesportivas e duas quadras de areia, sem estrutura específica, além de um posto policial. Dispõe ainda de uma pista de caminhada em torno do lago. O parque já abrigou grandes eventos como o Verão Dourados e a Festa do Peixe, dentre outros. É o que está em melhores condições e é muito frequentado pelos moradores do “Grande Flórida”, região que inclui vários bairros.
O parque de inauguração mais recente é o conhecido como Rego D’água, na região do Jardim Água Boa. O local conta com quadra poliesportiva, pista de skate, espaço para lanchonete, píer (ponte sobre os lagos), sanitários, playground, campo de futebol, deck, vestiário, quadra de areia e área de administração. Embora “novo”, grande parte da infraestrutura já está “detonada”, o que afugenta a população. Assim como nos outros parques e praças, a segurança é outro motivo de preocupação.
O “giro” da reportagem acaba no Parque Arnulpho Fioravanti, para o qual já foi dada uma boa definição: o “patinho feio” dos parques ambientais da cidade. Localizado na área central da cidade, em frente ao Shopping e à rodoviária, o parque possui um grande lago artificial, pois a área é receptora das galerias de águas pluviais da cidade. Ali se tem também alguns pontos de nascente do Córrego Paragem. A infraestrutura de lazer existente não é utilizada pela população, por se encontra em condições precárias de uso. O matagal tomou conta. Por vezes, o parque serve de abrigo a usuários de drogas, apesar de sediar um posto da Polícia Ambiental. Outro problema são as capivaras, hospedeiras do carrapato que transmite a mortal febre maculosa. Todos são unanimes em que os bichinhos devem permanecer e serem até atrativos à visitação em um período pós à necessária revitalização, mas sem manejo adequado proliferam de forma desordenada e preocupante, pois como o cercado do Parque possui várias brechas elas saem “passear”, sendo vistas inclusive nas Ruas Coronel Ponciano e Onofre Pereira de Matos, que fazem divisa com o local.
Está em andamento o processo de transferência para a iniciativa privada, através de Parceria Público Privada (PPP), da gestão dos parques ambientais da cidade, conforme anunciado recentemente. A Prefeitura está aguardando uma empresa já licitada apresentar o projeto de gestão. O Parque Antenor Martins será o primeiro o primeiro a ser gerido por essa modalidade de parceria. Quando à limpeza e conservação das praças, a informação é de que é feita periodicamente.