Com gigantes como JBS e Inpasa, e mais de mil indústrias ativas, o município vive o auge de um ciclo de expansão produtiva, tecnológica e sustentável
A unidade da Inpasa Dourados opera com mais de 700 empregos diretos e cerca de 2 mil indiretos - Foto: Gizele Almeida
No coração produtivo do Mato Grosso do Sul, Dourados vem se consolidando como um dos principais polos industriais do Centro-Oeste brasileiro. Com 1.035 estabelecimentos industriais ativos e 17,5 mil trabalhadores formais empregados no setor (dados da Secretaria Municipal de Desenvolvimento coletados referentes a 2024), o município, segundo maior do estado, transforma seu perfil econômico, antes centrado no comércio e na agropecuária, em uma potência de industrialização, inovação e geração de renda.
O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Inovação, Antônio Freire, afirma que o momento é de expansão e consolidação. “Dourados é estratégica para o crescimento industrial do Estado, especialmente nas atividades voltadas à agroindústria de transformação, produção de proteínas, processamento de grãos e bioenergia. São segmentos que, nos últimos anos, ampliaram de forma expressiva seus investimentos, a geração de empregos e o volume de exportações”, ressalta.
Os dados confirmam a pujança do setor. Conforme Freire, de 2021 a 2024, o número de estabelecimentos industriais cresceu 35%, saltando de 750 para 1.035 unidades. O valor adicionado pela indústria ao PIB de Dourados é estimado em R$ 2 bilhões anuais, sendo o segundo maior contribuinte da economia municipal, atrás apenas do comércio e serviços.
Os principais segmentos industriais são os frigoríficos de suínos e aves, que empregam diretamente cerca de 7,5 mil trabalhadores, além das indústrias de biocombustíveis, óleos vegetais, rações, embalagens, confecção, pré-moldados, metalurgia e laticínios.
“Nos últimos quatro anos, foram criadas cerca de 2,5 mil novas vagas diretas na indústria douradense, representando uma injeção anual de R$ 80 milhões em salários, o que mostra a força desse setor na economia local”, explica Antônio Freire. Atualmente, o conjunto da atividade industrial injeta mais de R$ 600 milhões por ano em renda na cidade.
O crescimento industrial de Dourados não é obra do acaso. Ele resulta de um conjunto de investimentos em infraestrutura, incentivos fiscais e qualificação profissional. A cidade foi recentemente conectada de forma mais eficiente a mercados nacionais e internacionais. A reforma e reabertura do Aeroporto Regional Francisco de Matos Pereira, com R$ 97 milhões investidos em 2025, devolveu à cidade voos comerciais e fortaleceu a logística de cargas e passageiros. Além disso, R$ 34,8 milhões foram aplicados em obras de pavimentação e drenagem urbana, enquanto o recapeamento da MS-276, que liga Dourados a Deodápolis, amplia a eficiência do escoamento da produção.
O secretário explica que os dados utilizados nos levantamentos oficiais da Prefeitura são produzidos em parceria com a FIEMS (Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul), por meio do Observatório da Indústria, uma plataforma moderna que coleta, organiza e disponibiliza informações detalhadas sobre a atividade industrial em todo o Estado. Segundo Freire, essa parceria é fundamental para a formulação de políticas públicas e estratégias de desenvolvimento. “A parceria com a FIEMS é estratégica para orientar políticas públicas, atrair novos investimentos e monitorar o desempenho real do setor industrial de Dourados”, destaca o secretário, reforçando que as informações do Observatório ajudam a transformar dados em decisões concretas para o fortalecimento da economia municipal.
O crescimento industrial de Dourados não é obra do acaso. Ele resulta de um conjunto de investimentos em infraestrutura, incentivos fiscais e qualificação profissional. A cidade foi recentemente conectada de forma mais eficiente a mercados nacionais e internacionais. A reforma e reabertura do Aeroporto Regional Francisco de Matos Pereira, com R$ 97 milhões investidos em 2025, devolveu à cidade voos comerciais e fortaleceu a logística de cargas e passageiros. Além disso, R$ 34,8 milhões foram aplicados em obras de pavimentação e drenagem urbana, enquanto o recapeamento da MS-276, que liga Dourados a Deodápolis, amplia a eficiência do escoamento da produção.
Outro destaque, conforme o secretário, é o Programa de Desenvolvimento Econômico Municipal, que concede incentivos fiscais e doação de áreas para empreendedores que investem na cidade. Paralelamente, a Prefeitura investe na formação de mão de obra qualificada, com destaque para o Centro de Educação Profissional Evanilde da Costa Silva (CEEP), que recebeu R$ 3,4 milhões em investimentos e oferece cursos técnicos integrados a setores produtivos.
Entre as empresas que simbolizam a força industrial douradense, está a JBS/Seara, dona da maior planta de abate de suínos do Brasil. A unidade local emprega 5.800 colaboradores e segue em expansão. Desde 2020, a JBS executa um plano de modernização avaliado em R$ 1,8 bilhão, com 93% das obras concluídas e previsão de término no primeiro semestre de 2026. O projeto inclui investimento adicional de R$ 212 milhões e ampliação da capacidade de abate em 60%, além de duplicar a produção de salames.
A planta caminha para alcançar 6.100 colaboradores até 2026, incorporando robôs nos processos de abate, desossa e paletização, além de sistemas automatizados de congelamento e armazenamento. A sustentabilidade também é um diferencial: o sistema de tratamento de efluentes por lodo ativado e a instalação de biodigestores para geração de energia colocam a unidade entre as mais modernas do país. “A JBS investe em automação, eficiência e práticas ambientais avançadas, transformando Dourados em referência nacional em tecnologia industrial”, ressalta Antônio Freire.
Em escala nacional, a marca Seara, pertencente à JBS, alcançou liderança no mercado de frangos, com 60,4% de presença nos lares brasileiros, segundo a pesquisa Worldpanel by Numerator (2025). “A liderança da Seara é resultado de inovação e valorização do consumidor, com produtos como o Frango de Padaria e a linha Suculentíssimo”, afirmou João Campos, CEO da marca.
Outro símbolo da pujança douradense é a Inpasa Agroindustrial, uma das maiores produtoras de etanol de milho e energia renovável da América Latina. A unidade de Dourados opera com mais de 700 empregos diretos e cerca de 2 mil indiretos, podendo variar conforme a safra e as fases de manutenção.
A diretora industrial, Luciane Hermes de Alencar, explica que o projeto local foi executado em duas fases, com investimentos estimados em R$ 2 bilhões. “Seguimos investindo em eficiência, segurança de processo e energia renovável, com a instalação de uma planta fotovoltaica própria e a operação de unidades de semi-refino de óleo e etanol neutro”, destaca.
A Inpasa utiliza bagaço de cana proveniente de fornecedores regionais como biomassa, reforçando o compromisso com a renovabilidade e sustentabilidade. Além da produção, a empresa impulsiona uma cadeia de fornecedores robusta, movimentando transporte, comércio, alimentação e hospedagem na região.
Em sua vertente social, a Inpasa investe em projetos voltados à comunidade douradense, como apoio à Corrida Maria da Penha, ações de combate à violência contra a mulher e destinação de 1% do IRPJ ao Fundo Estadual da Infância e Adolescência (FEINAD/MS). A empresa também mantém programas de apoio psicológico gratuito (Orienteme), assistência médica familiar, WellHub (plataforma de saúde integral) e convênios educacionais, mostrando que desenvolvimento econômico e responsabilidade social caminham juntos.
Para o empresário Thiago Lima, sócio proprietário da DF Martins Transportadora, o crescimento industrial de Dourados tem sido determinante para impulsionar o setor de transporte na região. À frente de uma frota com 50 caminhões, Thiago destaca que 80% das operações da empresa são voltadas à Inpasa, gigante do etanol de milho que consolidou Dourados como polo logístico e industrial no Estado.
“Cada nova planta industrial ou ampliação representa mais demanda logística, mais movimentação de insumos e produtos finais”, afirmou. Segundo ele, o fortalecimento da indústria trouxe “uma nova dinâmica” para o transporte, ampliando oportunidades e exigindo mais profissionalismo das empresas do setor.
Atuando há nove anos no ramo, Thiago lembra que começou de forma modesta, “com um notebook e um sistema de manifesto em home office”, até conquistar espaço e credibilidade no mercado junto aos sócios. Hoje, a DF Martins movimenta cerca de 900 mil toneladas por mês, atendendo diversas indústrias da região.
Com o avanço da produção de etanol de milho, os fretes mais frequentes passaram a ser de grãos e DDG (farelo de milho), além de insumos ligados à cadeia produtiva. “É um segmento que exige agilidade, segurança e cumprimento rigoroso de prazos — algo que buscamos manter como diferencial da nossa operação”, explicou.
Thiago também ressalta que a presença da Inpasa impulsionou investimentos em tecnologia, parcerias e infraestrutura logística, criando um ambiente favorável à inovação. “O crescimento da Inpasa atrai fornecedores e fortalece toda a cadeia produtiva. Isso gera oportunidades diretas e indiretas para quem vive do transporte e tem o agronegócio como base econômica”, finaliza.
Resultados que refletem na pujança de MS
Um dos principais setores que refletem no crescimento de Mato Grosso do Sul, a indústria tem perspectiva de avanços significativos em 2025, bem como a economia regional. Conforme as projeções do Sistema Fiems, a estimativa é de um crescimento nominal de 8,5%, tanto para o PIB estadual, quanto para o PIB Industrial de MS neste ano – R$ 213,5 bilhões e R$ 43,1 bilhões, respectivamente.
Os dados apontam ainda que Mato Grosso do Sul participa com 1,7% do PIB nacional, ocupando a 15ª posição entre os estados brasileiros e 6º lugar no PIB per capita. A nível estadual, a indústria representa ainda a segunda maior contribuição do Estado, sendo responsável por 20% do PIB total, o que conforme os dados da Federação equivale a R$ 33,8 bilhões, gerando emprego para 160 mil trabalhadores de maneira formal.