Município estende medida por mais 90 dias; já são 14 mortes confirmadas, quase 4,8 mil casos e 20 pacientes internados
Com a prorrogação da emergência, o município mantém a estrutura especial de enfrentamento à doença, incluindo a continuidade das ações de vigilância - Foto: Arquivo
A Prefeitura de Dourados decidiu prorrogar por mais 90 dias a Situação de Emergência em Saúde Pública decretada em março deste ano devido à epidemia de chikungunya. A medida foi oficializada por meio do Decreto nº 779, publicado nesta quarta-feira (17) no Diário Oficial do Município.
Apesar da redução no número de notificações em comparação com o período mais crítico da epidemia, a administração municipal avalia que o cenário ainda inspira preocupação. A taxa de positividade dos exames permanece acima de 50%, indicando que a circulação do vírus continua intensa em Dourados e região.
A decisão também levou em conta o elevado número de pacientes que seguem apresentando sintomas prolongados da doença, especialmente nas fases subaguda e crônica, além da pressão contínua sobre a rede de saúde. A recomendação para manutenção da emergência foi feita pelo Centro de Operações de Emergência em Saúde (COE) durante reunião realizada no último dia 11 de junho.
Segundo o mais recente Informativo Epidemiológico, divulgado nesta quarta-feira, o município acumula 9.728 notificações da doença. Deste total, 5.201 são considerados casos prováveis e 4.739 já foram confirmados. Outros 462 casos seguem sob investigação.
A taxa de positividade atual é de 51,1%, índice considerado elevado pelas autoridades sanitárias. De acordo com o relatório, embora haja desaceleração no ritmo de novos registros, os números ainda permanecem muito acima dos parâmetros considerados seguros para vigilância epidemiológica.
Outro fator que preocupa as autoridades é o aumento das internações. Na segunda-feira (15), Dourados contabilizava 18 pacientes hospitalizados por complicações da chikungunya. Dois dias depois, o número subiu para 20.
Dos pacientes internados, 15 estão no Hospital Universitário da UFGD, dois no Hospital Cassems, um no Hospital Regional, um no Hospital Unimed e um no Hospital da Vida.
O secretário municipal de Saúde e coordenador-geral do COE, Márcio Figueiredo, destaca que a ocupação de leitos ainda exige atenção redobrada da população e reforço das ações preventivas para eliminar criadouros do mosquito Aedes aegypti.
Desde o início da epidemia, Dourados já confirmou 14 mortes em decorrência da doença. Dez vítimas eram moradoras das aldeias Bororó e Jaguapiru, enquanto outras quatro residiam na área urbana do município.
Além dos óbitos confirmados, outras quatro mortes seguem em investigação. Entre elas estão uma mulher de 74 anos e um homem de 71 anos com comorbidades, além de um homem de 43 anos residente na área urbana e um indígena de 19 anos que estava internado no Hospital Universitário.
Com a prorrogação da emergência, o município mantém a estrutura especial de enfrentamento à doença, incluindo a continuidade das ações de vigilância, combate ao mosquito transmissor e o atendimento realizado por profissionais contratados de forma emergencial.