Por : Gracindo Ramos
Em Dourados, as ocorrências de estupro vitimam na sua maioria crianças e adolescentes. Os números são alarmantes e o município já registrou 117 ocorrências totais neste ano, até o dia 5 de outubro de 2022. A violência sexual afeta mais as mulheres, sendo 97 vítimas do gênero feminino.
A grande maioria das vítimas são vulneráveis, sendo 51 casos envolvendo crianças, 47 adolescentes e 12 jovens. O número de crianças e adolescentes vítimas em Dourados representa 83,76% do total de ocorrências que estão na base de dados do Sistema Integrado de Gestão Operacional.
Os números são do sistema de estatísticas online da Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública). Das 117 ocorrências registradas: 14 foram no mês de janeiro; 13 em fevereiro; 15 em março; 6 em abril; 9 em maio; 11 em junho; 19 em julho; 11 em agosto; 17 em setembro; e 2 em outubro (até o dia 5).
Houve queda do número de casos de estupro em Dourados em comparação com o ano de 2021. Até o mês de setembro do ano passado, 2021 havia registrado 150 ocorrências, 35 vítimas a mais que o mesmo período de 2022. O ano passado teve um total de 198 ocorrências, que fizeram vítimas 80 crianças, 74 adolescentes e 13 jovens.
A Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul divulgou nesta terça-feira (4), por meio do Núcleo de Defesa da Criança e do Adolescente (Nudeca), o preocupante registro de aumento expressivo nos atendimentos a vítimas de estupro de vulnerável. O levantamento foi feito em Campo Grande e revela a comparação entre o último semestre de 2021, com 12 atendimentos, e o primeiro semestre de 2022, com um salto para 48.
A defensora pública Débora Maria de Souza Paulino, coordenadora do Nudeca, lembra que “qualquer pessoa que presencie ou receba denúncia de violência sexual contra crianças e adolescentes pode encaminhar as informações aos órgãos de defesa, porque o crime de estupro contra vulnerável é de ação pública incondicionada, ou seja, independe de representação da vítima ou de um familiar”.
Segundo a defensora, “houve uma subnotificação em 2020, devido ao isolamento social e fechamento das escolas, porém, a volta à sala de aula tem trazido à tona os números, pois a escola é o ambiente onde a criança e o adolescente se sentem mais seguros para fazê-lo”.
As denúncias podem ser feitas no Disque 100, 190, delegacias de Polícia Civil, Defensoria Pública e demais órgãos voltados a defesa da criança e do adolescente.