Na manhã de quarta-feira (02) foi realizada uma entrevista exclusiva com o grupo de rap Indígena Brô Mc’s, a entrevista foi feita no pesqueiro tio João na aldeia Jaguapiru, onde foi falado de
Por: Valdinei Garcia
Na manhã de quarta-feira (02) foi realizada uma entrevista exclusiva com o grupo de rap Indígena Brô Mc’s, a entrevista foi feita no pesqueiro tio João na aldeia Jaguapiru, onde foi falado de diversos assuntos inclusive sobre a origem do nome Brô Mc’s, que é na verdade uma abreviação de brother (irmão) em inglês, levando em conta que o grupo foi criado justamente por irmãos. O grupo é composto por Bruno Veron, Clemerson Batista, Kelvin Peixoto e Charlie Peixoto.
Dificuldades
Nunca foi fácil a jornada do grupo Brô Mc’s, e no caminho deles surgiu muitas dificuldades, já logo no início sofreram com a falta de instrumentos, Kelvin disse em entrevista que eles tinham que cantar no gogó, devido a falta de instrumentos. E por isso era muito difícil para eles conseguirem gravar suas músicas com as gravadoras, não só isso, havia também o preconceito por serem indígenas e por cantarem rap, que na época não era bem visto pela população, outra dificuldade grande era a questão de locomoção do grupo, onde muitas das vezes eles tinham que pedalar uma longa distância para chegar no local da apresentação.
O que mudou na vida de cada um
Para Charlie o que mudou na vida do grupo em geral foi o amadurecimento de cada um e o desenvolvimento e crescimento musical, que com isso fez ganhar o apoio da comunidade indígena local, que se vinham nas músicas cantadas pelo grupo. No passado assim que eles tinham gravado seu primeiro CD, Clemerson apresentou o CD para a Liderança que, no entanto, não tinha conhecimento do que era o Rap, o capitão ouviu o CD e viu que falava justamente do dia-a-dia da comunidade indígena. Outra mudança foi o reconhecimento nacional e internacional, finalizou Clemerson.
Gravar com DJ Alok
Gravar com o DJ Alok foi um passo gigante na vida do grupo Brô Mc’s, que fez eles sair do invisível, em entrevista Bruno disse que ele foi o que recebeu a primeira ligação da produção do DJ Alok. Bruno disse em tom de brincadeira que não atendeu na primeira lligação”pois achei que era alguma cobrança”, no entanto só foram levar o assunto mais a sério quando a assessoria do grupo ligou dizendo que eles iriam gravar em Minas Gerais para o novo álbum do DJ Alok. Depois disso a vida do grupo Indígena deu uma repaginada e tudo passou a ser diferente.
Inspiração para as músicas
O grupo diz que a inspiração para compor as letras das músicas, vem da própria comunidade Indígena, do dia a dia da comunidade. E que através das suas músicas eles podem mostrar a realidade dos indígenas, que muitas das vezes nunca é mostrado pela mídia local.
Mudar da aldeia
Perguntados se eles se mudariam da aldeia um dia, todos disseram que não se mudaria da aldeia, e que poderia deixar a Aldeia para as viagens a trabalho e logo voltar para a Aldeia.
Pois foi na aldeia que eles começaram, “ tenho um amor tão grande pela minha Aldeia, pela minha comunidade” disse Charlie.
Rock in Rio
Sobre participar do maior evento de música do Brasil, o sentimento do Brô Mc’ é um só onde gratidão, uma gratidão enorme, pois muitas das vezes eles não tiveram o reconhecimento em seu próprio estado. E agora vão subir no palco principal do rock in Rio, o grupo também agradeceu ao convite feito pelo rapper Xamã, Bruno na entrevista disse que o grupo já havia se encontrado antes com o Xamã bem antes dele ser o sucesso que ele é hoje. Num desses encontros o próprio Xamã revelou que o Brô Mc’s era sua inspiração quando ele ainda vendia amendoim no camelo no Rio de janeiro, Xamã havia dito ao grupo que se ele fosse subir no palco do rock in Rio, ele iria subir junto com os Brô Mc’s. O grupo também fez um agradecimento ao produtor do rock in Rio, Zé Ricardo pelo convite feito ao grupo.