Enquanto o mundo celebrava o Natal, mais de 300 famílias indígenas das aldeias Jaguapiru e Bororó, em Dourados, enfrentaram um grave desabastecimento de água. A situação, agravada pela redução dos serviços de caminhões-pipa durante o recesso de órgãos responsáveis, trouxe privação e dificuldades básicas às comunidades.
Segundo o cacique Ramão Fernandes, metade da reserva ficou sem abastecimento durante o período. Normalmente, a comunidade é atendida por cinco caminhões-pipa — dois provenientes de Dourados e três de Itaporã. Porém, apenas dois continuaram operando, realizando entregas duas vezes ao dia, insuficientes para atender à demanda.
Natieli Ramirez da Silva, mãe de dois filhos pequenos, descreveu a realidade de extrema escassez: "Ficou cinco dias sem água, enfrentando dificuldades para abastecer até mesmo os animais de criação".
A situação evidencia a vulnerabilidade estrutural enfrentada pelas comunidades indígenas, com um sistema de abastecimento insuficiente para garantir dignidade e condições mínimas de vida. A falta de soluções permanentes para o acesso à água potável afeta não apenas a saúde e a higiene, mas também a educação e a subsistência dessas famílias.
Recentemente a comunidade indígena realizou o bloqueio da MS-156. Após os protestos, o governo do estado e o governo federal prometeram construir dois super poços, um em cada aldeia: Jaguapiru e Bororó. A medida, no entanto, seria ainda paliativa. Há um projeto que prevê levar água encanada nas residências, mas para isso seria necessário vultuoso recurso federal.