Segundo denúnica da vereadora Lia Nogueira, acatada pelo MPE, a 'farra da publicidade' teve inicio quando Alan Guedes era o presidente da Câmara
04/10/2021 07h54
O suposto favorecimento promovido pelo prefeito Alan Guedes, quando no exercício da presidência da Câmara de Vereadores beneficiando com mais de R$ 800 mil a título de pagamento por inserções publicitárias no jornal DiárioMS, está sendo investigado pelo Ministério Público Estadual. O procedimento preparatório nº 06.2021.00001179-7 investiga eventual irregularidade na execução do contrato do Processo Licitatório 023/2017, da Câmara Municipal de Dourados. O caso ficou conhecido como "farra da publicidade".
O procedimento foi instaurado com base em denúncias realizadas pela vereadora Lia Nogueira (PR), de favorecimento de recursos de publicidade a veículos de comunicação. A empresa Lupa venceu licitação na Câmara no período em que a presidente da Casa era a vereadora Daniela, passou pelo presidente seguinte, Alan Guedes, e continua na atual legislatura, na presidência de Laudir.
No entanto, a denúncia da vereadora Lia no MPE é sobre o recurso de publicidade no período da administração de Alan na Câmara. Conforme a denúncia, há suposto desvio de R$ 1 milhão dos cofres da Casa de Leis quando era presidida pelo atual prefeito, Alan Guedes, em 2019 e 2020.
Nos últimos anos a quantidade de empresas jornalísticas (sites) ampliou em Dourados. Muitas delas passaram a receber verba de publicidade do poder público na cidade. Ao Procurador-Geral da Câmara de Dourados o MP pede que seja informado, no prazo de 10 dias, "a celeuma envolvendo o pagamento das notas fiscais 128 e 129/2021, emitidas em nome da empresa Indicador Econômico Serviços Jornalísticos Ltda, bem como qual o destino do valor respectivo, após renúncia formal desta, encaminhando cópias dos extratos bancários que comprovem as afirmações".
Conforme o Portal da Transparência, apenas no dia 2 de fevereiro deste ano, a empresa Indicador Econômico Serviços Jornalísticos Ltda. emitiu, sucessivamente, três notas fiscais, do número 128 ao 130, conforme pode ser comprovado junto à empresa NotaControl, respectivamente, nos valores de R$ 6.800, R$ 28.080 e de R$ 8.712, perfazendo a soma de R$ 43.592,00 no mês. Os valores teriam sido repassados ao DiárioMS que depois tentou devolver o dinheiro, operação que a Câmara se viu impedida de realizar já que o pagamento fora feito ao agenciador indireto.