21/10/2021 17h50
Deixar de 'tapar o sol com a peneira'. Essa é a expressão que será adotada pelo funcionalismo público da saúde em Dourados para que a população saiba o quanto a saúde está na UTI. A partir de agora eles deixarão de tirar dinheiro do próprio bolso para comprar equipamentos básicos como materiais para aplicação de soro, luvas, esparadrapos, agulhas, caixa coletora de seringas, entre outros essenciais no dia a dia e que faltam na saúde pública da segunda maior cidade de Mato Grosso do Sul.
O basta foi dado pelos servidores nesta semana durante novo protesto no pátio da Prefeitura de Dourados. Profissionais da enfermagem e agentes de endemias se uniram para dar o recado ao prefeito Alan Guedes, que não recebeu as categorias. Mas o recado foi dado em alto falante.
"Chega de tapar o sol com a peneira, chega. Nós servidores estamos preocupados com a população, mas será que os gestores estão? Acho que não, porque damos jeitinho de salvar eles, mas agora isso não vai acontecer", declarou a presidente do Sindenf (Sindicato de Enfermagem da Grande Dourados), Elizabete Pereira Neto Oliveira.
Os atendimentos mais básicos só vem sendo realizado em Dourados porque os profissionais dos postos de saúde, do PAM, UPA e Hospital da Vida fazem a conhecida 'vaquinha' para comprar materiais. Nos departamentos administrativos não é diferente. Servidores compram papel sulfite e tinta de impressora para entregar laudo de exames aos pacientes.
Elizabete conversou com a reportagem e disse que a partir de agora a população vai saber o quão a situação da saúde em Dourados é extremamente crítica. Não que ninguém não saiba, mas é que atendimentos deixarão de ser feitos por simples falta de seringas e outros materiais básicos que a prefeitura não fornece e tampouco sinaliza que vai comprar.
"O que já era ruim na saúde infelizmente ficou pior. Falta tudo. Nós não estamos negando de trabalhar, pelo contrário, queremos oferecer o melhor atendimento possível, mas faltam materiais, não temos condições mínimas de trabalho. Sempre compramos para atender a população, mas isso acaba blindando o poder público, que não faz a parte dele. Agora a população vai ter a consciência do que está acontecendo", relatou a representante da categoria da enfermagem. Ela ressalta que os profissionais só faltam apanhar quando não há atendimento por falta de materiais, mas que a culpa não é deles.
A presidente do Sindracse (Sindicato de Agentes de Saúde e Combate a Endemias), Silvia Salgueiro, diz que os servidores criaram expectativa de que o prefeito Alan Guedes iria melhorar a saúde, mas nada. "Depois de 10 meses e várias reuniões, nenhuma resposta, nada de concreto", relatou.
Em janeiro deste ano, logo após o prefeito tomar posse, a categoria levou reivindicações básicas como falta de crachá para que os profissionais possam ser identificados pela população, uniforme. Outras reuniões foram feitas, mas nada da prefeitura sinalizar uma resolução. "Precisamos ser reconhecidos, valorizados para poder prestar um melhor trabalho para população", disse ela durante participação em live da reportagem.