Ao contrário do que pode parecer em um primeiro momento, o relatório destaca que o cenário de alta nem sempre é bom para os países dependentes de commodities, que totalizam 14 das 33 economia
15/08/2021 14h01 - Por ONU
O Brasil está entre as economias da América Latina onde o aumento expressivo de preços de commodities durante a pandemia de COVID-19 elevou receitas, mostra o novo relatório da UNCTAD.
No entanto, a entidade alerta para os efeitos da incerteza nos mercados exportadores e para a dependência de bens de consumo, e recomenda aumentar a resiliência aos futuros choques.
Ao contrário do que pode parecer em um primeiro momento, o relatório destaca que o cenário de alta nem sempre é bom para os países dependentes de commodities, que totalizam 14 das 33 economias da região, dentre eles, o Brasil.
Com pelo menos 60% da receita total advinda da exportação de commodities, as nações da região enfrentam volumes estagnados ou em queda, o que mostra que aumentar os preços desses bens pode ter impacto negativo sobre os saldos comerciais dos importadores.
O novo relatório da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) publicado na quarta-feira (11) mostra que entre o começo da pandemia de COVID-19 e a metade de 2021 o preço das commodities disparou na América Latina e no Caribe como efeito da incerteza nos mercados e dependência de bens de consumo, com impactos variados para os países da região.
O estudo recomenda aumentar a resiliência aos futuros choques.
"Este é um desenvolvimento importante, uma vez que os setores de commodities desempenham um papel vital para muitas economias da região", diz o estudo, cujas previsões resultam de análises das flutuações nos custos de bens básicos e a volatilidade do fluxo de capital na região.
O relatório destaca que diferenças estruturais na região têm como resultado impactos heterogêneos nos aumentos dos preços de venda das commodities e no crescimento dos países em desenvolvimento.
Um dos pontos mais importantes da análise da UNCTAD é que os níveis altos de incerteza sobre os mercados de commodities e a forte dependência desses bens de consumo na região não deixam dúvidas a respeito da necessidade investir em resiliência a choques futuros.
O relatório destaca dois fatores-chave para a alta recente dos preços das commodities.
O primeiro diz respeito à recuperação das atividades econômicas globais à medida que os países avançam em seus esforços de vacinar as populações e subsequentemente removem as restrições de deslocamento.
Em segundo lugar, a melhora nas expectativas dos investidores e consumidores, especialmente energia e commodities minerais e metálicas.
O estudo ainda frisa que, para este último grupo de commodities em particular, fatores associados à transição energética global também podem estar contribuindo para a evolução dos preços no longo prazo.
A publicação da UNCTAD destaca casos onde a alta de custos dos bens de consumo impulsionou as receitas, mas os volumes de exportação estão estagnados ou em queda.
No Brasil, o preço das oleaginosas, por exemplo, subiram 24,3% no primeiro semestre do ano, comparado ao mesmo período de 2020, mas a situação é acompanhada de uma ligeira baixa nos volumes de exportação.
Uma das conclusões é que aumentar os preços das commodities afeta negativamente os saldos comerciais dos importadores.
No caso de alimentos e combustíveis, a subida elevou ainda mais os custos de importação e pode fazer disparar as taxas de pobreza e de insegurança alimentar.
A UNCTAD realça, ainda, que esse cenário nem sempre é bom para os países dependentes de commodities, que totalizam 14 das 33 economias da região.
Elas contam com pelo menos 60% da receita total vinda da exportação de mercadorias.
Outras sete nações têm uma participação destes bens básicos entre 50% a 60%.
Na última semana, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) reportou que a queda nos preços das principais commodities alimentares do mundo em julho, pelo segundo mês consecutivo.
O Índice de Preço dos Alimentos da agência registrou 123 pontos no mês passado, ficando 1,2% menor que os níveis de junho. Mas, na comparação com julho de 2020, o índice subiu 31%.
O preço do açúcar, contrariando as tendência de queda, subiu 1,7% em julho devido às incertezas sobre o impacto que a nevasca recente terá sobre a produção brasileira, uma vez que o país é o maior exportador mundial do produto.
As constatações do estudo servirão de base de discussões no Fórum Global de Commodities, agendado para meados de setembro.
Já a 15ª conferência quadrienal da UNCTAD, marcada para 3 a 7 de outubro, ajudará a enquadrar as discussões políticas internacionais sobre commodities, especialmente sobre os desafios e oportunidades para os países em desenvolvimento e, particularmente, aqueles que dependem desses bens.