As economias de renda média, por sua vez, tiveram um aumento de 30%, enquanto as de baixa renda registraram uma contração adicional de 9%
22/10/2021 08h06 - Por ONU
Novos resultados do Monitoramento de Tendências de Investimento promovido pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) revelam um salto positivo no investimento estrangeiro direto global (IED).
No entanto, o crescimento esconde uma recuperação desigual de captação entre países desenvolvidos e em desenvolvimento.
Mais de 70% do que foi perdido em IED nos dois primeiros trimestres de 2020 foi recuperado. Desse crescimento, 75% foi registrado nas economias desenvolvidas. Países de alta renda mais do que dobraram os fluxos de IED em relação aos níveis de 2020.
As economias de renda média, por sua vez, tiveram um aumento de 30%, enquanto as de baixa renda registraram uma contração adicional de 9%.
Depois de sofrer quedas de dois dígitos em quase todos os setores, a recuperação em áreas relevantes para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) nos países em desenvolvimento permanece frágil, apontando para um cenário incerto.
Depois de uma grande queda no ano passado causada pela pandemia da COVID-19, o investimento estrangeiro direto global (IED) atingiu uma estimativa de 852 bilhões de dólares no primeiro semestre de 2021, revelando uma recuperação mais forte do que o esperado.
A informação é do Monitoramento de Tendências de Investimento, divulgado nesta terça-feira (19) pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD).
O relatório da UNCTAD indica o aumento do IED nos dois primeiros trimestres de 2020, o que representa uma recuperação de mais de 70% das perdas decorrentes da crise da COVID-19 ao longo do ano.
Para o diretor de Investimentos e Empreendimentos da UNCTAD, James Zhan, no entanto, a boa notícia na verdade "mascara a crescente divergência nos fluxos de IED entre economias desenvolvidas e em desenvolvimento, bem como o atraso em uma ampla recuperação de investimento sustentável em capacidade produtiva."
O diretor da UNCTAD também alerta para um cenário de incertezas. A duração da crise de saúde, o ritmo das vacinações, especialmente nos países em desenvolvimento, e a velocidade de implementação de estímulos de infraestrutura criam condições incertas para investimento.
Outros fatores de risco são os gargalos de mão-de-obra e da cadeia de suprimentos, o aumento dos preços da energia e as pressões inflacionárias.
Apesar desses desafios, a perspectiva global para o ano inteiro melhorou em relação às projeções anteriores.
O crescimento nos próximos meses deve ser mais moderado do que no primeiro semestre do ano, mas ainda assim deve levar os fluxos de IED para além dos níveis pré-pandêmicos.
Recuperação desigual - Entre janeiro e junho, as economias desenvolvidas testemunharam o maior aumento, com o IED chegando a cerca de 424 bilhões de dólares, mais de três vezes o nível excepcionalmente baixo de 2020.
Na Europa, por exemplo, várias grandes economias receberam aumentos consideráveis, permanecendo em média apenas 5% abaixo dos níveis trimestrais pré-pandêmicos.
Os fluxos de entrada nos Estados Unidos aumentaram 90%, impulsionados por um aumento nas fusões e aquisições internacionais.
Os fluxos de IED nas economias em desenvolvimento também aumentaram significativamente, totalizando 427 bilhões de dólares no primeiro semestre do ano.
Houve uma aceleração do crescimento no leste e sudeste da Ásia (25%), recuperação para níveis próximos à pré-pandemia na América Central e do Sul e aumentos em várias outras economias regionais na África e na Ásia Ocidental e Central.
Do aumento total da recuperação, 75% foram registrados nas economias desenvolvidas. Os países de alta renda mais do que dobraram os fluxos trimestrais de IED em relação aos níveis mais baixos de 2020, as economias de renda média tiveram um aumento de 30% e as economias de baixa renda um declínio adicional de 9%.
A confiança crescente dos investidores é mais aparente em infraestrutura, impulsionada por condições de financiamento de longo prazo favoráveis, pacotes de estímulo de recuperação e programas de investimento no exterior.
Os negócios internacionais de financiamento de projetos cresceram 32% em número e 74% em termos de valor. consideráveis ocorreram na maioria das regiões de alta renda na Ásia e na América do Sul.
Em contraste, a UNCTAD afirma que a confiança dos investidores na indústria e nas cadeias de valor continua instável.
Os anúncios de projetos de investimento greenfield continuaram sua trajetória descendente, diminuindo 13% em número e 11% em valor até o final de setembro.
Depois de sofrer quedas de dois dígitos em quase todos os setores, a recuperação em áreas relevantes para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) nos países em desenvolvimento permanece frágil.
O valor combinado dos investimentos greenfield anunciados e acordos de financiamento de projetos aumentou 60%, mas principalmente por causa de um pequeno número de negócios muito grandes no setor de energia.
Nessa perspectiva financiamento de projetos internacionais em energia renovável e serviços públicos continua a ser o setor de crescimento mais forte.
O investimento em projetos relevantes para os ODS nos países menos desenvolvidos continuou a diminuir vertiginosamente.
Os anúncios de novos projetos greenfield caíram 51% e o financiamento de projetos de infraestrutura 47%. Ambos já haviam caído 28% no ano passado.