Tereza Cristina participou do 20º Congresso Brasileiro do Agronegócio
03/08/2021 17h06 - Por Agência Brasil
A ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, disse ontem (2) que o Brasil pode ser o principal player para investimentos verdes no mundo e que sua pasta está trabalhando por esse objetivo. Segundo a ministra, a análise dos dados declarados no Cadastro Ambiental Rural (CAR), ao ajudar na implementação do Código Florestal, tem potencial para fazer o país a aumentar recursos na gestão de títulos verdes.
"Atualmente, estima-se R$ 30 bilhões em gestão de títulos verdes no país, com grande potencial de crescimento, frente a US$ 1 trilhão de recursos investidos em fundos sustentáveis internacionais.
O Brasil pode ser o principal player para investimentos verdes no mundo, e o ministério está trabalhando e apoiando isso", acrescentou a ministra.
Em sua participação no 20º Congresso Brasileiro do Agronegócio, Tereza Cristina destacou a "política única" que deve ser defendida de forma consensual por todos os países da América do Sul e Caribe na Cúpula de Sistemas Alimentares, prevista para setembro na sede das Nações Unidas, em Nova Yorque.
A ministra disse que o Brasil tem conseguido conciliar produtividade com sustentabilidade, no modelo agropecuário que vem desenvolvendo.
Ela lembrou que o Serviço Florestal Brasileiro está sob seu "guarda-chuva" e que o avanço na implementação do código florestal está entre as prioridades da pasta.
De acordo com ela, a legislação será fundamental para que o país se torne líder na agenda global da sustentabilidade, conciliando produção agropecuária com conservação ambiental.
"Para isso lançamos a ferramenta AnalisaCAR. Com tecnologia de geoprocessamento, poderemos avançar na análise automatizada de cadastro ambiental, trazendo segurança jurídica e celeridade nesse processo."
Tereza Cristina destacou que o Plano Safra deste ano está mais "verde", com a ampliação tanto do plano de agricultura de baixa emissão de carbono (o Plano ABC), como do financiamento para restauração florestal. Ela destacou ações visando a geração de energia renovável a partir de biogás e biometano.
"É importante ressaltar que o Brasil desenvolveu um modelo agropecuário tropical. Ao passo em que se torna mais produtivo, torna-se também mais sustentável.
Nos últimos 10 anos intensificamos em torno de 50 milhões de hectares de áreas degradadas com tecnologias promovidas pelo plano de agricultura de baixa emissão de carbono, o nosso Plano ABC", disse a ministra.
Em mensagem enviada aos participantes do 20º Congresso Brasileiro do Agronegócio, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, disse que a infraestrutura deve caminhar para "atender às necessidades do agro", e que é fundamental aos investidores em agronegócio e infraestrutura que atendam aos padrões de governança socioambiental.
"Por isso, temos investido na matriz de diversificação de transporte por meio do fomento ao transporte de cabotagem, do fomento ao transporte hidroviário, e de um amplo programa ferroviário que já contratou cerca de R$ 30 bilhões em investimento com a iniciativa privada.
Além disso, estamos trazendo a noção de sustentabilidade para a estruturação de nossos projetos. Entendemos que os fluxos financeiros estarão cada vez mais atrelados aos padrões ambientais", disse Freitas.
Recém-chegada de Roma, capital italiana, onde participou de encontro preliminar da Cúpula dos Sistemas Alimentares, que ocorrerá em setembro nos Estados Unidos, Tereza Cristina disse que "pela primeira vez há uma política única defendida por todos os países da América do Sul e Caribe", e que esse posicionamento está materializado em 16 mensagens-chave a serem apresentadas no evento organizado pelas Nações Unidas.
"Nossa união foi muito importante para que a agenda a ser debatida e lançada em setembro possa ter os 16 pontos comuns", disse a ministra.
As mensagens abordam temas como transformação dos sistemas agroalimentares, demanda dos consumidores e aspectos nutricionais, estratégias de produção e assuntos ambientais e o papel das Américas nesse contexto.
. São José, 1 de julho de 2021 (IICA) – Os países das Américas chegarão à Cúpula de Sistemas Alimentares da ONU com uma posição consensual após extensas jornadas de debates, em que definiram princípios e mensagens-chave que defenderão de forma coordenada e em bloco no foro global que buscará compromissos e medidas para melhorar os sistemas alimentares do mundo.
A Cúpula foi convocada pelo Secretário-Geral da ONU, Antonio Guterres, com o objetivo de direcionar o planeta para o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), propostas que visam a criar uma estrutura de paz e prosperidade para a população global.
A unidade para a ação foi aprovada na recente sessão do Comitê Executivo do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), da qual participaram 31 países, que afirmaram em uma das resoluções aprovadas que os produtores agrícolas precisam estar devidamente representados na Cúpula e que o seu papel central para a alimentação também deve ser reconhecido.
A posição unificada dos países das Américas foi consolidada em torno 16 mensagens-chave e começará a ser plasmada em Roma, onde em julho se realizará a Pré-Cúpula do foro global.
Esses princípios estão incluídos no documento "Principais mensagens no caminho para a Cúpula da ONU sobre Sistemas Alimentares na perspectiva da agricultura das Américas", que os países endossaram a partir de um trabalho coordenado pelo IICA.
O documento contém 16 mensagens-chave sobre o papel insubstituível da agricultura. Essas mensagens ressaltam que os produtores agropecuários e os trabalhadores dos sistemas alimentares são um elo imprescindível e central e que, sem produção agropecuária, não há matérias-primas para serem transformadas em alimentos.
As mensagens, além disso, destacam a agricultura como uma atividade fundamental para erradicar a pobreza, promover o desenvolvimento rural e proteger o meio ambiente.
A Pré-Cúpula sobre Sistemas Alimentares se realizará de 26 a 28 de julho em Roma, com a participação do IICA, que integra a Rede de Campeões de Cúpulas – uma das estruturas organizativas do foro – a que se somou na condição de representante dos setores agrícola e rural da América do Norte e da América Latina e do Caribe.
O IICA propôs estabelecer como princípios gerais que os produtores agropecuários devem estar devidamente representados, que as decisões e as políticas a serem adotadas devem se basear na ciência e que a agricultura é parte da solução dos principais desafios enfrentados pela humanidade.
A partir desses princípios, foram redigidas as mensagens-chave, que foram sendo modificadas de acordo as com contribuições recebidas, em um exaustivo processo de discussão, e agrupadas em quatro categorias: transformação dos sistemas agroalimentares; demanda dos consumidores e aspectos nutricionais; estratégias de produção e assuntos ambientais; e o papel das Américas.
Ao longo das últimas décadas, os sistemas alimentares mundiais têm enfrentado, em geral com êxito, a crescente demanda de alimentos, resultante do aumento populacional e do aumento da renda per capita.
As futuras transformações, portanto, deverão partir dos pontos fortes demonstrados e das contribuições já ocorridas.
Os produtores agropecuários e os trabalhadores dos sistemas alimentares são um elo imprescindível e central.
Sem produção agropecuária, não há matérias-primas que se transformem em alimentos e a segurança alimentar corre sério risco.
Além disso, a agricultura é central para a erradicação da pobreza e o desenvolvimento rural e oferece serviços ecossistêmicos fundamentais para a obtenção de sistemas alimentares sustentáveis.
A transformação dos sistemas alimentares globais deve ser equilibrada em relação aos seguintes atributos: capacidade de aumentar a produção e a variedade de alimentos; sanidade e inocuidade; diversidade e qualidade nutricional; e sustentabilidade ambiental, econômica e social.
Reconhece-se que não existe um modelo único e que os equilíbrios e trade-offs serão diversos em cada país e sub-região; por isso, é importante que as transformações sejam levadas a cabo gradualmente segundo as reponsabilidades, as realidades e as particularidades de cada um, garantindo-se que ninguém fique para atrás.
O comércio internacional aberto, transparente e previsível é central para um sistema alimentar global eficiente e deve ser regido por normas multilaterais, promovendo a liberalização agrícola e reduzindo as restrições aduaneiras e não aduaneiras.
É fundamental que o sistema multilateral desempenhe papel cada vez mais ativo para limitar e reduzir a distorção do comércio e da produção e fomentar a adoção e a aplicação de medidas sanitárias e fitossanitárias baseadas em ciência.
As decisões sobre o que consumir devem ser deixadas ao consumidor, que as toma com base em fatores históricos, culturais, de acesso e de disponibilidade, entre outros, os quais devem ser respeitados.
Ao Estado cabe educar e informar sobre dietas saudáveis e desenvolver campanhas de prevenção da saúde pública, fundamentadas em informações atualizadas e evidências científicas.
Mensagem 6. Proteínas de alta qualidade, carboidratos (cereais e açúcares), gorduras e alimentos fortificados e biofortificados para se ter uma dieta equilibrada e nutritiva que contribua para a saúde humana.
O aumento desejável e necessário do consumo de frutas, legumes e hortaliças só será possível mediante um esforço notável na produção e educação da população para o consumo desses produtos e na logística para a sua comercialização, o que os tornará mais competitivos e acessíveis, especialmente em benefício dos consumidores de renda menor.
A implementação de sistemas de produção sustentáveis dentro de esquemas de "uma só saúde" ou de outros que agreguem benefícios de saúde pública ao longo de toda a cadeia de valor é uma estratégia útil para o desenvolvimento de sistemas agroalimentares que otimizem os resultados sanitários reconhecendo a interconexão entre pessoas, animais, plantas e o entorno de que compartilham.
Os novos cenários da ciência e da tecnologia representam uma oportunidade estratégica para se avançar rumo a uma agricultura mais produtiva e sustentável que possibilite níveis mais elevados de precisão e eficiência.
A economia circular e a bioeconomia, que implicam enfoque no uso eficiente dos recursos (inclusive a intensificação sustentável da produção), na redução e reutilização dos desperdícios da produção agropecuária para a produção de outros bens e no investimento em pesquisa e desenvolvimento (I+D) são elementos-chave nesse novo cenário.
Os sistemas de produção de alimentos são particularmente vulneráveis aos efeitos adversos da mudança do clima.
Os desafios impostos pela mudança climática tornam imperiosa a centralização dos esforços na adaptação, a fim de se garantir a resiliência do sistema e manter a produção necessária para a segurança alimentar.
A produção agropecuária deve avançar para sistemas sustentáveis que propiciem um equilíbrio entre a emissão de carbono e a sua captura e que levem em conta as externalidades positivas resultantes dos serviços ecossistêmicos, para o que se requerem sistemas que os quantifiquem e propiciem a sua capitalização.
As novas tecnologias contribuem para a harmonização da produção agropecuária com a saúde do meio ambiente e dos ecossistemas, aspecto indispensável para a sua resiliência.
A obtenção de um sistema alimentar mais equilibrado e eficiente exigirá um plano de investimentos para o desenvolvimento de tecnologia e infraestrutura de produção, transporte e logística de grande magnitude.
Para esses investimentos se tornarem efetivos, é necessário que os países elaborem e executem planos estratégicos de médio prazo que permitam o desenvolvimento de parcerias público-privadas.
Os Estados devem investir em infraestrutura básica e em bens públicos, aos quais os atores privados possam, em seguida, destinar os seus investimentos. Esses esforços exigirão o importante apoio da cooperação e do financiamento internacionais.
As Américas contribuem para a segurança alimentar e nutricional global, sendo a principal região exportadora de alimentos e a maior fornecedora de serviços ecossistêmicos, além de ser reserva de biodiversidade.
Além disso, desempenha um papel fundamental na sustentabilidade ambiental e na mitigação dos efeitos da mudança do clima em escala mundial.
Para a agricultura contribuir para os equilíbrios globais, são necessárias políticas de inclusão produtiva e proteção social para assegurar a sustentabilidade social e econômica e atender às carências enfrentadas pelos setores mais vulneráveis nos territórios rurais.
Essas políticas deverão ser transversais ao conjunto dos produtores e dispensar atenção especial às necessidades da agricultura familiar, dos jovens, das mulheres rurais, dos pobres rurais e dos indígenas.
Os produtores agropecuários estão no centro dos sistemas agroalimentares das Américas, com grande diversidade de sistemas e abordagens produtivas, o que inclui a agricultura familiar.
É essencial, portanto, que eles participem do debate e da elaboração das estratégias diferenciadas a serem implementadas.
O Caribe requer um olhar particular, por ser uma sub-região dependente da importação de alimentos, afetada frequentemente por desastres naturais e pela mudança climática e integrada por Estados insulares de menor escala e competitividade agrícolas.
Fortalecer a resiliência frente aos eventos climáticos, reduzir os níveis de insegurança alimentar e aplicar enfoques de cooperação internacional e financiamento para enfrentar os novos modelos são prioridades a serem consideradas especialmente no Caribe Oriental e no Haiti.
A situação de insegurança alimentar com implicações sociais, econômicas e ambientais que afetam o Triângulo Norte Centro-Americano merece uma atenção especial.
Gerência de Comunicação Institucional