Órgão de defesa do consumidor quer entender impactos do petróleo e do câmbio nos preços praticados em Mato Grosso do Sul
O Procon de Mato Grosso do Sul agendou para a próxima quinta-feira (19) um encontro com empresas responsáveis pela distribuição de combustíveis no estado. A reunião tem como objetivo analisar o comportamento recente dos preços e compreender de que forma fatores externos, como a cotação internacional do petróleo e a variação cambial, podem estar influenciando os valores cobrados dos consumidores sul-mato-grossenses.
A iniciativa ocorre em um momento de instabilidade no cenário global, marcado pelas tensões no Oriente Médio, situação que costuma gerar reflexos no mercado de energia. Nas últimas semanas, consumidores já começaram a perceber alterações nos preços nos postos do estado. Apesar disso, até agora a Petrobras não divulgou qualquer reajuste nos valores praticados em suas refinarias.
De acordo com o Procon-MS, parte das empresas independentes tem aplicado diretamente aos seus produtos as variações registradas no mercado internacional do petróleo e na taxa de câmbio. Diante desse cenário, o órgão decidiu intensificar o acompanhamento dos preços praticados nos postos de combustíveis em todo o estado.
A fiscalização também atende a uma orientação da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), ligada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Os órgãos federais solicitaram monitoramento mais rigoroso para identificar eventuais práticas que possam prejudicar a concorrência no mercado brasileiro de combustíveis.
Para ampliar esse controle, foi criada uma “sala de situação” em Mato Grosso do Sul, estrutura voltada ao recebimento de denúncias e à coordenação das ações de fiscalização. Nesta fase inicial, o foco será orientar os estabelecimentos para que mantenham margens de lucro compatíveis com as registradas anteriormente, evitando aumentos considerados abusivos.
O Procon-MS informou ainda que continuará monitorando de perto a evolução dos preços no estado, com o objetivo de garantir maior transparência nas práticas comerciais e assegurar que os direitos dos consumidores sejam respeitados.
Dificuldade no campo
Por conta da invasão dos Estados Unidos ao Irã, o preço do óleo diesel aumentou em mais de R$ 2 reais para os produtores rurais de Mato Grosso do Sul e mesmo assim estão com dificuldades de conseguir o produto. E esta escassez já está afetando a colheira de soja e o plantio do milho safrinha.
O valor de R$ 7,50 é o praticado para o distribuidor. Para o produtor rural são acrescidos mais 25 a 30 centavos, em média, para cobrir os custos com entrega e por isso o produto está chegando por cerca de R$ 7,70 às fazendas.
Conforme o boletim da Aprosoja divulgado na segunda-feira (9), a colheita de soja em Mato Grosso do Sul estava em 63% dos 4,8 milhões de hectares que foram plantados. Na região norte, porém, esse percentual ainda estava na casa dos 40%. A falta de diesel tem feito parar as colheitadeiras.