Iniciativa aposta em tecnologias sociais, educação e geração de renda para reduzir o êxodo rural entre jovens de Ponta Porã
Com foco em garantir oportunidades para que as novas gerações permaneçam no campo, o Governo do Estado de Mato Grosso do Sul vem desenvolvendo um projeto que transforma a realidade educacional e produtiva do assentamento Itamarati, em Ponta Porã. A iniciativa aposta na formação profissional de estudantes da zona rural, aliando educação, inovação e sustentabilidade como caminhos para geração de emprego e renda.
As ações acontecem na Escola Estadual Nova Itamarati, onde tecnologias sociais passaram a integrar o cotidiano escolar. O objetivo é criar alternativas concretas de desenvolvimento local, valorizando as vocações da própria comunidade e fortalecendo o vínculo dos jovens com o território onde vivem.
Reconhecido como o maior assentamento demarcado da América Latina, o Itamarati enfrenta, há anos, o desafio do êxodo rural, especialmente entre adolescentes e jovens que deixam o campo em busca de oportunidades nos centros urbanos. Diante desse cenário, surgiu a parceria com a Universidade Federal da Grande Dourados, que desenvolve projetos de extensão voltados à inovação, à sustentabilidade e à autonomia das famílias assentadas.
Segundo educadores envolvidos na iniciativa, as escolas do campo passaram a funcionar como espaços estratégicos para discussão, experimentação e difusão de tecnologias sociais. A proposta é que os próprios estudantes se tornem multiplicadores dessas soluções no futuro, aplicando conhecimentos em empreendedorismo, inovação e produção sustentável.
Na prática, a escola já conta com estruturas como gerador de biogás, tanques para criação de peixes, sistemas de aquaponia, compostagem para produção de adubo orgânico e outras tecnologias adaptadas à realidade local. Esses recursos dialogam diretamente com as disciplinas do currículo, aproximando teoria e prática e ampliando o interesse dos alunos por ciência e tecnologia no campo.
Outro impacto relevante do projeto é a aproximação entre a escola e a universidade. Professores e estudantes da UFGD atuam diretamente no assentamento, o que ajuda a desmistificar o acesso ao ensino superior. O contato frequente com a universidade tem estimulado alunos do ensino médio a considerarem a participação no Enem e a buscar vagas em instituições públicas.
A iniciativa integra as ações do Centro de Desenvolvimento Rural (CDR) da UFGD, que há oito anos desenvolve pesquisas e projetos de extensão no assentamento, com foco na agricultura familiar, bioeconomia e sucessão rural. O trabalho busca criar metodologias replicáveis para implantação de espaços coletivos de educação, ciência, tecnologia e inovação no meio rural.
O projeto piloto foi implantado na Escola Estadual Nova Itamarati, maior unidade escolar rural de Mato Grosso do Sul, e deve servir de modelo para outras comunidades. O convênio prevê investimento superior a R$ 1,4 milhão, com apoio financeiro e técnico da Semadesc, além da atuação da Secretaria de Estado de Educação.
A expectativa é que o espaço funcione como uma vitrine tecnológica, interativa e pedagógica, conectada a diferentes disciplinas e faixas etárias. A partir da inovação social e do uso de tecnologias sustentáveis, o projeto busca fortalecer a identidade do território, estimular a sucessão rural e mostrar que é possível construir um futuro promissor no campo.