A Copa do Mundo 2026 começou nesta quinta-feira, 11 de junho, com México e África do Sul abrindo o torneio. O Brasil entra em campo no próximo sábado, dia 13, contra Marrocos, no Grupo C.
Antes da estreia, vale olhar com atenção para dois tipos de dado que raramente mentem: as cotações do mercado de apostas e o histórico da Seleção nas últimas edições. Juntos, eles constroem um retrato mais honesto das reais chances do Brasil do que o otimismo de véspera costuma oferecer.
Se quer ir além do emocional e entender o que os números dizem antes de apostar na copa do mundo, o cenário atual é revelador e, em alguns aspectos, incômodo.
Segundo dados do Polymarket atualizados na abertura do torneio nesta quinta-feira, o Brasil aparece na sexta posição entre as seleções mais apostadas para vencer a Copa. A Espanha lidera com 17% das apostas, seguida da França com 16%. Inglaterra e Portugal aparecem empatadas com 11%, e a Argentina, atual campeã, ocupa o quinto lugar com 9%. O Brasil aparece também com 9%, mas perde nos detalhes para os argentinos.
Nas casas de apostas brasileiras, o cenário é parecido. De acordo com dados coletados em 7 de junho de 2026 pelo portal Terra, a odd do Brasil campeão estava fixada em 9,00 nas principais operadoras; o que representa uma probabilidade implícita de aproximadamente 11%. Em algumas casas, a melhor cotação chegava a 9,10. Para comparação, a Espanha aparecia com odds entre 5,50 e 6,00, refletindo uma probabilidade implícita próxima de 18%.
Não é a primeira vez que o Brasil chega a uma Copa sem ser o grande favorito. Em 2022, antes do Qatar, a Seleção era a principal candidata nas casas de apostas, com odds de 4,50 e caiu nas quartas de final para a Croácia nos pênaltis. Desta vez, o mercado está mais cético, e há razões concretas para isso.
A campanha do Brasil nas Eliminatórias Sul-Americanas para 2026 foi inconsistente. A Seleção se classificou, mas passou por momentos de oscilação que preocuparam analistas e apostadores. Esse desempenho irregular está diretamente refletido nas odds atuais, que colocam o Brasil atrás de Espanha, França, Inglaterra e até Argentina.
Carlo Ancelotti assumiu o comando da Seleção e trouxe alguma estabilidade, mas o tempo de preparação foi curto. Dos 26 convocados para o Mundial, sete nomes estiveram presentes desde a primeira convocação para o amistoso contra Marrocos em 2023: Ederson, Weverton, Ibañez, Marquinhos, Casemiro, Lucas Paquetá e Vinícius Júnior. O lateral Wesley, que se lesionou no amistoso contra o Egito, foi substituído por Enderson na lista final. Nomes como Éder Militão e Rodrygo também ficaram de fora por lesão antes mesmo do início do torneio.
Há um dado histórico que qualquer apostador sério precisa conhecer: desde que o Brasil conquistou o título em 2002, a Seleção foi eliminada por seleções europeias em cinco edições consecutivas. França em 2006 (quartas, 1x0), Holanda em 2010 (quartas, 2x1), Alemanha em 2014 (semifinal, 7x1), Bélgica em 2018 (quartas, 2x1) e Croácia em 2022 (quartas, 1x1, 4x2 nos pênaltis).
Ao todo, o Brasil já foi eliminado nas quartas de final em seis ocasiões na história da Copa do Mundo: 1954, 1986, 2006, 2010, 2018 e 2022. Quatro delas aconteceram nos últimos 16 anos. É este padrão, o de uma Seleção que avança com certa facilidade na fase de grupos, mas trava na reta final do mata-mata, que os algoritmos das casas de apostas já incorporaram nas cotações atuais.
Para quem gosta de dados de longo prazo: o Brasil tem probabilidade implícita de cerca de 20% de chegar às semifinais nas odds médias do mercado. A diferença entre esse número e a probabilidade de ser campeão (11%) resume bem a desconfiança do mercado nas fases decisivas.
No curto prazo, a história é diferente. No Grupo C, o Brasil, mesmo muito provavelmente sem Neymar segundo as notícias mais recentes, parte como favorito claro, com odd de 1,15 para vencer a chave, segundo levantamento de mercado de 19 de maio de 2026. Os adversários são Marrocos, Haiti e Escócia, sendo Marrocos o único com real capacidade de complicar a vida da Seleção no papel.
Para o jogo de estreia contra Marrocos, o Brasil parte como favorito. No contexto do grupo, a passagem para o mata-mata é tratada pelas casas de apostas como praticamente certa. É a partir das oitavas de final que as cotações se tornam mais interessantes e onde o histórico recente pesa contra a Seleção.
Para o apostador analítico, o mercado de vencedor de grupo (odd ~1,15) tem retorno muito baixo para o risco zero adicional que representa. Já os mercados de longo prazo oferecem mais espaço para valor real:
O que o mercado, o Polymarket e o histórico dizem em conjunto é que o Brasil de 2026 é uma seleção respeitada, mas não temida como era em 2002 ou mesmo em 2022. A ausência de favoritismo absoluto pode ser, paradoxalmente, o que libera a equipe de parte da pressão que, edição após edição, pesa nos momentos decisivos.