As ações de combate à extração ilegal de madeira na Terra Indígena Kadiwéu, em Mato Grosso do Sul, foram reforçadas nos últimos anos e já resultaram em um grande volume de apreensões e autuações. Desde 2023, operações integradas realizadas por órgãos ambientais e forças de segurança vêm intensificando a fiscalização dentro do território indígena para frear crimes ambientais ligados ao desmatamento e à retirada clandestina de espécies nobres.
As operações são coordenadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), com apoio da Polícia Federal, Polícia Militar Ambiental e Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). Durante as ações, equipes localizaram áreas de exploração irregular, desmontaram estruturas usadas pelos criminosos e apreenderam equipamentos utilizados na retirada da madeira.
Ao longo de quatro anos de operações conjuntas, mais de 1,2 mil itens derivados de madeira foram recolhidos, entre palanques, postes e lascas de espécies de alto valor comercial. Também foram apreendidos aproximadamente 30 metros cúbicos de aroeira beneficiada, além de tratores, veículos, motosserras e outros maquinários usados na atividade ilegal.
Segundo informações repassadas pelo Ibama ao Portal Primeira Página, a exploração clandestina dentro da Terra Indígena Kadiwéu estaria sendo praticada por pessoas de fora da comunidade, com apoio de indígenas que facilitariam a entrada no território.
Desde o início das operações, mais de 11 pessoas — entre indígenas, brasileiros e paraguaios — foram autuadas por envolvimento no corte ilegal de madeira. As autoridades não descartam a participação de outros integrantes no esquema, mas parte dos suspeitos não foi encontrada durante as fiscalizações.
Conforme prevê a legislação ambiental, todo o material apreendido passa por avaliação técnica com base na Lei de Crimes Ambientais e pode ser destinado posteriormente a órgãos públicos ou entidades sociais.
A região da Terra Indígena Kadiwéu convive há anos com a pressão da extração ilegal devido à proximidade com áreas de mata preservada da Serra da Bodoquena, onde ainda existem espécies de grande valor madeireiro, como aroeira, ipê, peroba, cedro e cerejeira.
De acordo com o Ibama, operações semelhantes ocorrem frequentemente em municípios sul-mato-grossenses com remanescentes florestais, principalmente em cidades como Aquidauana, Miranda, Corumbá e Porto Murtinho.
Atualmente, a maior parte da madeira apreendida é formada por lascas e palanques de aroeira e ipê, materiais bastante procurados para uso em propriedades rurais devido à resistência e longa durabilidade.